quarta-feira, 23 de julho de 2008

Combate ao Câncer do Intestino Grosso


O câncer de intestino, doença que acomete em sua maioria pessoas que já passaram dos 50, está sendo detectado com mais freqüência nos últimos anos. Para esclarecer a enfermidade, conversamos com o Dr. Álvaro Lins, Chefe do Serviço de Colo-Proctologia do Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes.

O que é o Câncer do Intestino?

O câncer do intestino grosso, chamado também de tumor do cólon e do reto ou colorretal, é uma doença que pode e deve ser evitada. Trata-se de um dos tumores mais freqüentes entre homens e mulheres no mundo ocidental.

É o quinto câncer mais diagnosticado no Brasil, e o segundo na região sudeste. Quando descoberto tardiamente pode ser fatal. Quase metade dos pacientes com este câncer ainda morre em menos de 05 anos após tratamento. Por isso é tão importante a sua detecção precoce, quando a possibilidade de cura é grande. Quando detectado no começo, a sobrevida ultrapassa 90%.

O que é detecção precoce?

É encontrar o câncer do intestino em uma fase bastante inicial, quando pode ser curado através de cirurgia. Em casos mais avançados ainda há possibilidade de cura, porém tornam-se necessárias operações maiores e associação de quimioterapia e/ou radioterapia.

Como evitar o aparecimento do câncer do intestino?

O câncer do intestino grosso (cólon e reto) é facilmente evitável. Quase sempre ele se inicia através de um pólipo que cresce na parede do intestino e que pode se transformar em câncer com o tempo. Quando esse pólipo é retirado durante um exame de colonoscopia, está se impedindo que ele se transforme em câncer, sem necessidade de cirurgia.

O que são pólipos?

Pólipos são lesões benignas que se desenvolvem na mucosa (superfície interna) do intestino grosso de algumas pessoas. Geralmente não apresentam sintomas, e só são descobertos quando é realizado exame de colonoscopia ou Raio X do intestino (chamado de enema opaco). Através da colonoscopia, o pólipo pode ser retirado e examinado para saber se já se transformou em câncer.

Quem pode ter pólipos?

Qualquer pessoa pode ter pólipos ao longo da vida. Alguns jovens podem ter pólipos também e muitas vezes estes estão associados a doenças genéticas. Alguns hábitos podem facilitar o aparecimento de pólipo e de câncer: o fumo, o consumo de dieta rica em gorduras e pobre em fibras, ingestão freqüente de álcool e de alimentos com corantes artificiais.

Quais as situações de risco para o câncer do intestino?

Quando a idade ultrapassa a casa dos 50, qualquer pessoa fica mais sujeita ao aparecimento deste câncer. Algumas situações aumentam este risco: História pessoal ou familiar de pólipos benignos, câncer do intestino, retocolite ulcerativa ou Doença de Crohn de longa duração, câncer de mama, ovário ou útero. Alimentação e vida saudáveis são ótimos aliados na prevenção.

Quais os principais exames que podem ser feitos?

O exame mais importante para detecção precoce do câncer do intestino grosso, e sobretudo do reto, é o exame proctológico. Este exame consiste no toque retal e na retossigmoidoscopia que é o exame da parte mais baixa do intestino. Quando adequadamente realizado, grande número destes tumores pode ser identificado. O exame proctológico deve ser complementado nos indivíduos de risco, ou em todos com sintomas intestinais, pelo exame colonoscópico.

O que é colonoscopia?

É o exame por dentro de todo intestino com visão direta. Permite fazer coleta de material para biópsia ou a retirada de pólipos. O exame requer limpeza adequada dos intestinos e leve sedação anestésica.

O que é rastreamento?

É o conjunto de medidas tomadas para a identificação de pólipos ou de câncer precoce em indivíduos sem sintomas.

Quais são os sintomas do câncer do intestino?

Os tumores de intestino, em geral, crescem de forma silenciosa. Os sintomas só aparecem quando estão mais desenvolvidos. Geralmente, as condições apresentadas são: sangramento anal, sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal (diarréia e prisão de ventre alternados), vontade freqüente de ir ao banheiro, sensação de evacuação incompleta (puxos), dor ou desconforto abdominal ou anal, fraqueza, anemia, sensação de gases ou distensão, perda de peso sem causa aparente.

Se você apresentar algum destes sintomas procure um médico imediatamente Note bem: nem todo sangramento pelo ânus é causado por hemorróidas. Hemorróidas não causam câncer, porém podem confundir o diagnóstico.

Como e quando se deve ser examinado?

Se você pertence ao grupo de risco normal (isto é, não tem os antecedentes já mencionados para câncer), só deve ser examinado a partir dos 50 anos, e fazer pesquisa de sangue oculto nas fezes, repetindo anualmente. Se o resultado for positivo, você deve consultar um médico especialista (colo-proctologista). A partir dos 60 anos, também é preciso realizar a colonoscopia (preferivelmente) ou o enema opaco, e repetir a cada 10 anos.

Se você pertence ao grupo de risco aumentado, isto é, quando tem antecedente pessoal ou familiar de câncer do intestino, deve iniciar o rastreamento aos 40 anos – ou antes – incluindo colonoscopia. O risco de câncer de intestino grosso é maior em quem tem histórico deste tumor na família.

O que se pode fazer para evitar o câncer do intestino grosso?

Além dos exames de rastreamento nas idades adequadas, alimentação e estilo de vida saudáveis são muito importantes. Algumas dicas: consuma boa quantidade de fibras, frutas e vegetais, e reduza a quantidade de gorduras, principalmente as de origem animal. É recomendado que você coma pelo menos 25 a 30g de fibras (02 colheres de sopa) e cerca de duas xícaras e meia de frutas/verduras ao dia. O uso de suplementos alimentares com fibras pode ajudá-lo a atingir esta meta. Não fumar e diminuir o consumo de álcool também é fundamental.

Câncer de Intestino Grosso Familiar: Como Abordar a Família?

Neste Artigo:

- Introdução
- Câncer de Cólon e Tubo Digestivo
- O Que Causa o Câncer de Cólon?
- Câncer de Cólon e Hereditariedade
- Câncer de Cólon Familiar – Síndromes Familiares
- Veja Outros Artigos Relacionados ao Tema

O câncer de intestino grosso, também chamado câncer de cólon, atinge um enorme número de pessoas em todo o mundo, estando juntamente com os cânceres de pulmão e mama, entre os três cânceres mais freqüentes no mundo ocidental. Na maioria das vezes (90%) ele ocorre após os 50 anos, aumentando progressivamente sua incidência principalmente após os 60 anos e atingindo seu pico aos 75 anos de idade. Têm-se descoberto alguns fatores responsáveis pelo seu aparecimento como dieta rica em gordura animal e pobre em frutas e vegetais. O restante dos casos (10%) está relacionado com doenças familiares hereditárias transmitidas geneticamente.

Introdução

O texto que se segue enfatiza os procedimentos de rastreamento nas famílias que possuem pessoas afetadas por síndromes familiares hereditárias, o que tem diminuído consideravelmente a mortalidade dessas pessoas. Embora pareça ser um número relativamente pequeno, 10% de 570.000 (número de casos novos de câncer de cólon por ano somente nos EUA) são 57.000 casos que poderiam ser evitados ou tratados quando ainda em tempo hábil.

Câncer de Cólon e Tubo Digestivo

O câncer do intestino grosso (CA de cólon) é a doença maligna mais freqüente do trato gastrintestinal ou tubo digestivo, que é formado pela cavidade oral, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso. Outros órgãos como o fígado, vesícula biliar e pâncreas também têm importantes funções digestivas, estando por isso, inseridos nesse sistema, apesar de não fazerem parte do tubo digestivo propriamente dito. O CA de cólon, de pulmão e de mama são os três tipos de câncer mais comuns na maioria dos países do mundo. O CA de cólon conta com 570.000 casos novos por ano somente nos EUA, sendo muito comum principalmente no mundo ocidental.

O Que Causa o Câncer de Cólon?

Existem dois grandes grupos em que são divididos os tipos de CA de cólon. Tal divisão é feita através das causas mais prováveis em cada um desses grupos. No primeiro grupo estão aquelas doenças genéticas hereditárias que levam a modificações nas células do intestino grosso, predispondo-as às transformações malignas. Elas são responsáveis por cerca de 5% a 10% dos casos. Neste grupo, existem várias síndromes familiares. São doenças que se manifestam geralmente na segunda década de vida, com sintomas intestinais ou em outros órgãos. Na grande maioria dos casos, há várias pessoas dentro de uma família com a doença. No outro grupo estão os casos não hereditários. Representam cerca de 90% de todos casos de CA de cólon. As causas, nesse grupo, estão sendo amplamente estudadas, sendo que até o momento, além das causas genéticas, parece ser a dieta um fator de extrema importância. Assim, sabe-se que uma dieta rica em gordura principalmente animal está relacionada com o desencadeamento da doença. Alimentos como fibras vegetais, frutas e fibras solúveis têm sido consideradas como protetores do intestino grosso. A idade também tem uma grande relação com a ocorrência dessa doença, sendo que há um crescimento do número de casos após os sessenta anos com pico em setenta e cinco anos.

Câncer de Cólon e Hereditariedade

Antes de 1990, o papel dos fatores hereditários como causa do CA de cólon em adultos era pouco conhecido e por isso pouco interessava aos médicos e pesquisadores. Na última década, tal interesse tem crescido e a descoberta de genes responsáveis por várias doenças dentro desse grupo tem possibilitado um maior rastreamento de famílias que possuem um alto indício de suspeição. Entretanto, apenas um pequeno número de famílias encaminhadas para exames genéticos tem alterações nos genes até então descobertos. Outro fator limitante é o custo e disponibilidade de se fazer estudos desse tipo em todas as famílias indicadas. Por isso, há uma necessidade de distinguir as famílias que precisam de consultas especializadas, através de aspectos clínicos, ou seja, através da história familiar e da dos sintomas do paciente. Um estudo resumindo tais aspectos foi realizado pelos Drs. T. R. P. Cole e H. V. Sleightholme, do Departamento de Genética Clínica do Hospital da Mulher de Birmingham, EUA. Tal estudo foi publicado na revista médica British Medical Journal, em outubro deste ano, cujo resumo será exposto no texto abaixo.

Câncer de Cólon Familiar – Síndromes Familiares

Como já foi dito acima, existe um grupo de doenças familiares transmitidas geneticamente que predispõe ao CA de cólon. Nessas famílias é de extrema importância um aconselhamento genético para que se possa prevenir a doença em todos seus membros. Quando possível, os tumores operados devem ter sido estudados microscopicamente. Outro fator importante e que deve ser sempre exposto aos familiares é que independente da história familiar de CA de cólon (a não ser que existam casos em ambos os lados), uma pessoa terá sempre uma chance 50% maior de não ter a doença.

A poliose adenomatosa familial (PAF) é a síndrome colorretal familiar mais facilmente reconhecida mas corresponde a apenas 1% dos casos familiares, ocorrendo em 1 em cada 100.000 pessoas. Essas pessoas têm centenas de pequenas lesões benignas (pólipos) em todo o intestino grosso que vão se transformando em câncer por volta dos 30 anos de idade. Geralmente essas lesões são diagnosticadas na adolescência. Podem ocorrer outras lesões em outros órgãos como estômago, pâncreas, tireóide, fígado e retina. Os filhos de pessoas com essa doença têm 50% chance de possuir as alterações genéticas responsáveis pela mesma. O diagnóstico de PAF leva à necessidade de se fazer uma história familiar minuciosa, sendo que os pais deverão fazer uma colonoscopia e os irmãos deverão ser submetidos à mesma anualmente até 40 anos de idade. A descoberta do gene responsável por essa doença facilitou muito seu rastreamento. Assim, todos os parentes de primeiro grau da pessoa acometida devem fazer testes genéticos, sendo que aqueles que não possuírem tal gene ficam dispensados de futuras análises, enquanto os portadores do gene deverão ser seguidos com sigmoidoscopia anual a partir dos 12 anos. Quando na presença de pólipos, deve-se marcar a data e tipo de cirurgia que consta na retirada de todo ou quase todo o intestino grosso. Com o acompanhamento clínico regular e o advento da investigação molecular, há a possibilidade de se evitar a morte de quase todos os pacientes com PAF.

Câncer de cólon hereditário não-polipóide
é uma síndrome com manifestações extra-intestinais como tumores ginecológicos, do intestino delgado e trato urinário. A proporção desses tipos de CA de cólon é de cerca de 1% a 2%. O diagnóstico dessa síndrome é feito através da história familiar pois a aparência do intestino grosso não sugere a doença como é o caso da PAF. Em seguida seguem alguns critérios:

- três ou mais casos de CA de cólon em no mínimo duas gerações;

- um indivíduo portador deve ser parente de primeiro grau de dois ou mais portadores;

- um caso deve ser diagnosticado antes dos 50 anos de idade;

- o CA colorretal pode ser substituído por CA de endométrio ou de intestino delgado;

- PAF deve ser excluída.

A literatura médica disponível até o momento sugere o rastreamento de CA de cólon em pessoas portadoras dessa síndrome. Isso tem sido feito através da colonoscopia a cada 2 a 3 anos em portadores dos genes até agora descobertos como responsáveis.

Há outras síndromes mais raras que as duas anteriormente citadas. No entanto, o número de famílias com história de CA de cólon mas que não se enquadram em nenhuma dessas síndromes é muito maior e muito mais difícil de se fazer um acompanhamento específico. Há dificuldade em se compreender a razão da presença de casos de CA de cólon agrupados nessas famílias, o que muitas vezes é considerado como coincidência. Pode-se pensar, no entanto, em exposição ambiental aos mesmos fatores. Abaixo segue uma tabela de risco de CA de cólon com relação ao número de parentes acometidos.

- Um parente de primeiro grau acometido (qualquer idade) = 1 em 17

- Um parente do primeiro grau e um do segundo grau acometidos = 1 em 12

- Um parente do primeiro grau acometido (idade < 45) = 1 em 10

- Dois parentes do primeiro grau acometidos = 1 em 6

- Geneticamente Autossômico Dominante = 1 em 2

Existem muitos protocolos tentando otimizar um rastreamento desses pacientes, mas nenhum conseguiu o fazer com consistência. O desenvolvimento de maiores pesquisas e informações a respeito desses casos vai, no futuro, proporcionar tal tipo de abordagem.

Câncer de Intestino

A campanha de conscientização sobre o Câncer do Intestino foi totalmente planejada e desenvolvida pela SOCIEDADE BRASILEIRA DE COLOPROCTOLOGIA, contando com o apoio do Instituto Nacional do Câncer, Associação Médica Brasileira, Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva e outras entidades médicas, com o objetivo de esclarecer a população sobre o câncer do intestino a fim de:

• Evitar o aparecimento deste câncer.
• Aumentar a detecção precoce.
• Diminuir o número de mortes causadas por este câncer no Brasil.

O que é o Câncer do Intestino?

O câncer do intestino grosso, também chamado de tumor do cólon e do reto ou colorretal, é uma doença que pode ser evitada. Trata-se de um dos tumores mais freqüentes entre homens e mulheres no mundo ocidental. É o quinto câncer mais diagnosticado no Brasil, e o segundo na região Sudeste. Quando descoberto tardiamente pode ser fatal. Quase metade dos pacientes com este câncer ainda morre em menos de cinco anos após o tratamento. Por isso é tão importante a sua detecção precoce, quando a possibilidade de cura é grande.

O que é detecção precoce?

É encontrar o câncer do intestino em uma fase bastante inicial, quando pode ser curado por meio de cirurgia. Em casos mais avançados ainda há possibilidade de cura, porém tornam-se necessárias operações maiores e associação de quimio e/ou radioterapia.

Como evitar o aparecimento do câncer do intestino?

O câncer do intestino grosso (cólon e reto) é facilmente evitável. Quase sempre ele inicia através de um pólipo que cresce na parede do intestino e que pode se transformar em câncer com o passar do tempo. Quando um pólipo é retirado do intestino durante o exame colonoscópico, está se impedindo que ele se transforme em câncer. Portanto, o câncer do intestino pode ser prevenido removendo-se o pólipo antes que ele se transforme em câncer, sem precisar de cirurgia.

Quais as situações de risco para o câncer do intestino?

Idade maior que 50 anos torna qualquer pessoa mais sujeita ao aparecimento deste câncer. Algumas situações aumentam este risco.

História pessoal ou familiar de:

• Pólipos benignos.
• Câncer do intestino.
• Retocolite ulcerativa ou Doença de Crohn
• Câncer de mama, ovário ou útero.

Quais são os principais exames que podem ser feitos?

O exame mais importante para a detecção precoce do câncer do intestino grosso e, sobretudo, do reto é o exame proctológico.
Este exame consiste no toque retal e na retossigmoidoscopia, que é o exame da parte mais baixa do intestino. Quando adequadamente realizado, grande número destes tumores pode ser identificado.
O exame proctológico deve ser complementado nos indivíduos de risco, ou em todos com sintomas intestinais, pelo exame colonoscópico.

Quais são os sintomas do câncer do intestino?

Os tumores do intestino em geral, crescem de forma silenciosa. Os sintomas só aparecem quando estão mais desenvolvidas. Consulte o médico sempre que notar os seguintes sintomas ou sinais:

• Sangramento anal. • Sangue nas fezes.
• Alteração do hábito intestinal, ou seja, diarréia e obstipação alternados.
• Vontade freqüente de ir ao banheiro, com sensação de evacuação incompleta(puxos).
• Dor ou desconforto abdominal.
• Fraqueza.
• Anemia.
• Sensação de gases ou distensão abdominal.
• Perda de peso sem causa aparente.

Se você apresentar algum destes sintomas acima, procure um médico imediatamente.

O que se pode fazer para evitar o câncer do intestino?

Além dos exames de rastreamento nas idades adequadas, alimentação e estilo de vida saudável são muito importantes.
Algumas dicas:

• Consuma uma boa quantidade de fibras e reduza a quantidade de gorduras, principalmente as de origem animal.
• Frutas e verduras são muito importantes na prevenção do câncer do intestino.
• É recomendado que você coma pelo menos 25 a 30 g de fibras por dia, cerca de 02 xícaras e meia de frutas/verduras ao dia. O uso de suplementos alimentares com fibras pode ajuda-lo a atingir esta meta.


Nota:
Fernando O. Serrano de Andrade
Cirurgião Geral e Colo-proctologista
CRM-PB 1204

Câncer no intestino tem chances de cura se detectado em fase inicial

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JANAINA FIDALGO
da Folha Online

A descoberta de um câncer costuma causar a sensação de que uma bomba está prestes a explodir. Mas assim como boa parte das doenças, quando o câncer é diagnosticado na fase inicial, há grandes chances de cura, entre 90% e 100%, segundo médicos.

"O câncer de cólon pode ser diagnosticado na fase inicial e totalmente curado", diz o professor titular de de gastroenterologia da Unicamp (Universidade Estadual de São Paulo), Antonio Frederico Magalhães.

Sangramento nas fezes, diarréia, eliminação de muco (catarro amarelado) e dores na evacuação são sinais de alerta para o câncer no intestino. A recomendação dos gastroenterologistas quando estes sintomas aparecem é procurar um médico.

Os primeiros sinais encontrados no intestino são pequenas verrugas, chamadas de pólipos, mas que podem ser detectadas em exame clínico. Esta manifestação ainda não é um câncer, mas tem probalidade de se tornar. Depois de descobertos e removidos por meio da colonoscopia, ou de uma cirurgia, as chances de recuperação são muito grandes.

Arte Folha Online

A colonoscopia é o exame usado para detectar a presença de tumores ou de sinais iniciais do câncer de intestino. As imagens de todo o intestino grosso são captadas por meio de um tubo de fibra ótica e visualizadas num monitor. Outro procedimento pode ser o exame físico, geralmente o toque retal.

Segundo Magalhães, o exame permite a doença seja descoberta precocemente. "O pólipo não é câncer ainda, mas tem grande probalidade de virar. Se for retirado no próprio exame, elimina-se o risco", afirma Magalhães.

Nos casos mais adiantados, onde já há a formação de um tumor, é preciso fazer um estadiamento, ou seja, verificar se o tumor está localizado no intestino ou se tem manifestação à distância.

O estágio da doença e localização do tumor não determinam apenas a probalidade de cura, mas também a forma de tratamento.

Quando o tumor se localiza no reto alto, a cirurgia consiste na extração do pedaço afetado, com uma margem de segurança, e na anastomose (emenda) do segmento do intestino com o reto. "Neste caso, o paciente tem trânsito intestinal normal", diz Ademar Lopes, especialista em cirurgia oncológica e vice-presidente do Hospital do Câncer.

O mesmo procedimento é adotado para os tumores posicionados de 3 cm a 4 cm acima do ânus. Se o câncer fica no reto baixo, próximo ao ânus, em geral se torna necessária a colostomia -cirurgia que exterioriza o intestino para a pele do abdome, com captação das fezes numa bolsa.

Depois das intervenções cirúrgicas, a radioterapia ou a quimioterapia são usadas para controlar e evitar o desenvolvimento de novos tumores.

Câncer de Intestino

Câncer de intestino: Prevenção

Todos sabem que o intestino compreende duas grandes regiões. Uma parte mais fina chamada intestino delgado que está relacionada com a digestão e a absorção dos alimentos e uma mais grossa, o intestino grosso, responsável pela absorção da água, armazenamento e eliminação dos resíduos da digestão. Câncer nessa região mais fina do intestino é muito raro. Em geral, ao longo de toda a carreira, o médico não vê mais do que meia dúzia de casos. Em compensação, câncer no intestino grosso é muito freqüente. A doença começa sempre como uma lesão benigna que vai evoluindo lentamente até transformar-se num tumor maligno. Nessa fase de benignidade, que é longa, é possível retirar a lesão e com isso impedir sua degeneração e o aparecimento do câncer.

Sintomas


Drauzio - Hoje se sabe que a incidência de câncer de intestino é alta, em particular a de câncer de cólon. Como esse tema deve ser tratado?
Angelita Gama - É importante falar sobre câncer de intestino porque ele é muito mais freqüente do que se possa imaginar. No Brasil, a incidência está aumentando cada vez mais, apesar de ser um câncer que pode ser prevenido e que tem bom prognóstico.

Drauzio - O câncer de intestino, quando se manifesta, que sintomas provoca?
Angelita Gama - O câncer de intestino é traiçoeiro. Quando se manifesta já é razoavelmente grande porque, na fase inicial, costuma ser assintomático. Dependendo da localização, os sintomas são diferentes. Se estiver situado do lado direito do intestino, os principais serão enfraquecimento, anemia e alteração da freqüência da defecação. Se estiver do lado esquerdo, há alteração do ritmo intestinal com predominância de constipação intestinal, ou seja, prisão de ventre. No reto, o principal sintoma é o sangramento. Sangue e puxo, ou tenesmo, caracterizado pela vontade periódica de ir ao banheiro e insatisfação provocada pela sensação de evacuação incompleta são sinais de câncer ou de doença inflamatória no reto. O câncer de intestino é um câncer traiçoeiro, repito. Qualquer alteração no ritmo intestinal, constipação, diarréia, anemia, sangue ou catarro nas fezes e emagrecimento são indícios de que a pessoa pode estar com a doença.

"Fique de olho"


Drauzio - Você falou em sangramento. Eu encontrei pela vida um número incrível de pessoas com sangramento intestinal por meses, às vezes anos, que foi atribuído às hemorróidas e só tardiamente ficaram sabendo que eram portadoras de um tumor maligno. Esse tipo de mal entendido é freqüente?
Angelita Gama - É super comum. Há pacientes que operam as hemorróidas sem saber que logo acima, no canal anal, existe um tumor de reto. Por isso, escrevemos um folheto explicativo chamado "Fique de olho" com o objetivo de informar a população a respeito do assunto e o primeiro item mencionado é este: "Nem tudo que sangra é hemorróida. Hemorróida sangra, mas câncer de intestino também". Entretanto, há uma pequena diferença entre o sangramento da hemorróida, um sangue vivo não misturado às fezes, e o do câncer que, embora também seja vivo, vem misturado com elas. Para o paciente leigo é muito difícil estabelecer essa distinção. Como conseqüência, toda a pessoa que tem sangramento pelo ânus deve procurar o médico para submeter-se ao exame de toque retal e passar um aparelho a fim diagnosticar corretamente a doença.

Drauzio - Infelizmente também acontece de a pessoa ser vigilante, perceber o sangramento, ir ao médico que o atribui erroneamente às hemorróidas e continuar desenvolvendo câncer de intestino.
Angelita Gama - O paciente precisa também aprender a defender-se. Quando perde sangue, vai ao médico que classifica o sangramento como hemorróida sem fazer pelo menos o exame de toque retal, não se deve dar por satisfeito.

Drauzio - Que exames o médico deve normalmente fazer?
Angelita Gama - Primeiro, o exame de toque retal, um exame importantíssimo que deveria ser considerado de rotina. Além desse, no próprio consultório de um gastrenterologista ou coloproctologista, é possível fazer um exame endoscópico que permite atingir e avaliar 20cm da parte terminal do intestino grosso. Esse aparelho se chama retossigmoidoscópio. Com ele, se faz uma endoscopia semelhante à do estômago para examinar a região e colher material para biopsia quando existirem lesões.

Drauzio - Você aconselha que todas as pessoas que têm sangramento, mesmo as que sabem que têm hemorróidas, procurem um médico para fazer pelo menos um exame de toque retal?
Angelita Gama - No mínimo, um exame de toque retal. Isso é imperativo porque o câncer de reto é muito freqüente e um simples toque retal permite examinar, além do ânus e do reto, a próstata nos homens e útero, colo do útero e vagina nas mulheres. O exame de toque retal precisa deixar de ser tabu. Os pacientes devem ficar à vontade e não se recusar a fazê-lo, pois assim estarão evitando complicações que podem ser sérias.

Fatores de risco


Drauzio - Quais são as pessoas que correm maior risco de desenvolver câncer de intestino?
Angelita Gama - O câncer de intestino, como todos os outros, é favorecido na sua incidência pelo fator idade. Quem vive muito tempo provavelmente terá câncer porque certas anormalidades na divisão celular vão tornado mais freqüentes mutações erradas que favorecem o aparecimento do tumor maligno. Além disso, quanto mais idade, maior será a exposição da pessoa aos fatores de risco ambientais.

Drauzio - Com que idade a pessoa começa a ficar mais vulnerável?
Angelita Gama - Começa aos 40 anos e a cada década que passa dobra a possibilidade de desenvolver um câncer colorretal. Além disso, se a pessoa tiver parentes próximos - mãe, pai, irmão, tio ou avô - que faleceram por causa de câncer de intestino, o risco aumenta muito. Por isso, a partir dos 40 anos, quem tem na família caso de câncer no intestino deve fazer um exame especializado que se chama colonoscopia.

Alimentação ideal


Drauzio - Já citamos a idade e os fatores genéticos nos casos de câncer de cólon. E a alimentação?
Angelita Gama - O câncer de intestino têm fatores de risco genéticos hereditários e genéticos ambientais. Neste último grupo, os fatores dietéticos são muito importantes. Alimentação rica em gordura animal, pobre em fibra e rica em corantes favorece a incidência desse tipo de câncer. Gosto de citar os corantes porque são elementos que poderiam ser eliminados sem prejuízo, principalmente no Brasil onde existem pigmentos naturais que colorem os alimentos. Corantes são fator de risco porque liberam nitrosaminas no intestino, substâncias reconhecidamente carcinogênicas. Se prestarmos atenção, veremos que atualmente as crianças ingerem uma quantidade enorme de corantes nos doces, balas, pirulitos. Na verdade, até o algodão doce não é mais branco. É verde, cor-de-rosa.

Drauzio - Vamos especificar o que é uma dieta rica em gordura e pobre em fibras?
Angelita Gama - Na dieta rica em gordura predominam as carnes gordas. A carne em si não é um fator muito agressivo, mas a gordura que a acompanha é bastante. Especialmente quando a carne levada à brasa é muito ruim. O problema é que o carnívoro, em geral, não come verduras, frutas e cereais. Come carne. Os defumados, assim como os corantes, contêm substâncias carcinogenéticas. Embora possamos usar azeite, as frituras devem ser evitadas porque a gordura se decompõe quando vai ao fogo. Digo evitar e não abolir, pois a alimentação deve ser agradável ao paladar e variada. Se a pessoa gosta de gordura animal, por exemplo, não deve privar-se de saboreá-la, mas deve aumentar a quantidade de cereais ingeridos. Cereais são ricos em fibras que realmente protegem o intestino porque facilitam a evacuação, uma vez que aumentam o bolo fecal, aceleram o trânsito intestinal e diminuem o tempo de contato das substâncias cancerígenas com a parede do intestino.

Hábitos intestinais


Drauzio - Para a mucosa intestinal é sempre mais interessante que o bolo fecal seja grande e passe rapidamente?
Angelita Gama - A evacuação ideal deve ser diária e se caracteriza pelo bolo fecal consistente sem ser duro ou pétreo nem líquido, uma vez que a evacuação diarréica é ruim para a nutrição da mucosa intestinal.

Drauzio - Os hábitos de evacuação, às vezes, se transformam num verdadeiro martírio para as pessoas que têm dificuldade para usar o banheiro e estabelecer horários para o intestino funcionar. Parece que é ele que comanda a pessoa e não ao contrário como se espera.
Angelita Gama - Eu diria que a cabeça comanda o intestino, porque na realidade é ela que comanda tudo. Quem tem intestino ressecado geralmente come mal. As pessoas pensam que se alimentam bem, mas uma folhinha de alface no prato é o suficiente para acharem que comeram salada. É preciso comer um prato enorme de salada para ingerir os ideais 20 ou 30 gramas de fibras. Quem não consegue fazer isso, deve complementar com duas colheres de farelo de trigo ou de outro produto que contenha fibras. Há vários no mercado que devem ser ingeridos preferencialmente de manhã adicionados ao leite ou ao suco de laranja, por exemplo. Outra coisa a ressaltar é que as pessoas, sobretudo as mulheres, comem fibras, mas não tomam o líquido necessário para a formação do bolo fecal. Mulher é avessa a tomar líquido, embora devesse tomar pelos menos dez copos por dia.

Obstipação nas mulheres


Drauzio - Sua experiência mostra que as mulheres são mais obstipadas que os homens?
Angelita Gama - Tenho certeza disso. São mais obstipadas porque se alimentam pior. Gostam de docinhos, ricos em hidrato de carbono e, como têm a preocupação de não engordar, ingerem uma quantidade menor de alimentos. E também não bebem água. Além disso, são exigentes e não usam qualquer toalete. Às vezes, têm vontade de ir ao banheiro, mas não vão. O mecanismo reflexo da evacuação é muito interessante. Se elas deixam escapar aquele momento, o reflexo só reaparece no dia seguinte, quando as fezes já estão endurecidas porque houve absorção da água que continham. Fezes duras, ou fecalitos, são difíceis de eliminar e vêm a dor, a fissura, as hemorróidas. Progressivamente, para se defenderem, começam a tomar laxantes e instala-se um círculo vicioso. O intestino se acostuma, perde o reflexo, e elas são obrigadas a tomar quantidades crescentes desses remédios. Esse é um problema que se vê todos os dias no Hospital Universitário, nos hospitais públicos e no consultório.

Drauzio - Existe um número ideal de evacuações diárias?
Angelita Gama - É variável. O tamanho do intestino difere de uma pessoa para outra. As que têm intestino mais longo necessitam de quantidade maior de fibras e evacuam menos. No entanto, não é o número de evacuações diárias que importa. O que importa é ir ao banheiro uma vez ou duas por dia, ou dia sim, dia não, mas sem fazer força para evacuar. A consistência do bolo fecal deve proporcionar fácil eliminação. Não pode ser um fecalito duro como pedra, nem diarréia promovida por excesso de laxantes.

Drauzio - Vida sedentária interfere nos hábitos intestinais?
Angelita Gama - Interfere, mas quero mencionar outro fator que favorece a constipação intestinal nas mulheres. A gravidez deixa o abdômen mais flácido e o períneo, ou seja, a musculatura entre o reto e vagina, também mais flácido. Para que as fezes cheguem ao reto é necessário fazer um movimento de contração abdominal e perineal e é obvio que musculatura flácida torna mais difícil a eliminação do bolo fecal.

Colonoscopia


Drauzio - Você disse que com a idade aumenta o risco de desenvolver câncer de cólon e que, além dos já citados, existe um método de prevenção altamente eficaz que infelizmente a maioria da população não conhece ou não tem acesso a ele. É a colonoscopia. Em que consiste esse exame?
Angelita Gama - Antes de falar na colonoscopia, quero dizer que cigarro e álcool também promovem aumento de casos de câncer de intestino como acontece com os demais órgãos, pulmão, bexiga, etc. Em relação à prevenção do câncer de reto, o diagnóstico é muito simples, porque pode ser feito pelo exame de toque retal no consultório. Já o diagnóstico de câncer de cólon exige um exame chamado colonoscopia, cuja descoberta representou o maior avanço no conhecimento das doenças do aparelho digestivo. Ele começou a ser realizado na década de 1970 e, por meio da introdução de um aparelho longo, flexível à semelhança do que se usa para o estômago permite a identificação não só de processos inflamatórios como até de pequenos pólipos. Pólipo é uma verruga que começa bem pequena, do tamanho de uma cabeça de alfinete, sob a mucosa do intestino. Seu crescimento (e conseqüentemente a elevação da mucosa) é lento e ele leva de 10 a 15 anos para degenerar-se num câncer. Isso o câncer de intestino tem de vantagem se comparado com os demais que já se instalam como tumor maligno. É possível reconhecer o fator que o precede, uma vez que começa como um pólipo que cresce bem devagarinho.

Drauzio - Isso garante uma longa oportunidade de prevenção.
Angelita Gama - Por isso sou entusiamadíssima com a prevenção do câncer de intestino. A colonoscopia é um exame que detecta precocemente o câncer, quando ele já existe, e também o previne, pois permite a identificação e a ressecção do pólipo antes que se torne um tumor maligno ou o diagnóstico precoce da doença. O procedimento é bastante simples. Passa-se uma alça por dentro do aparelho, abraça-se a cabeça do pólipo, retira-se e manda-se examinar. Sem pólipo, não haverá mais câncer.

Drauzio - Na verdade, a colonoscopia é um exame para diagnóstico, tratamento e prevenção de câncer de intestino.
Anagelita Gama - Se o governo tomar consciência dessa verdade, será benéfico para o indivíduo em particular, para a população em geral, e muito mais econômico para o próprio governo. Do ponto de vista de gastos em reais, é muito menos custoso promover a prevenção pela colonoscopia do que tratar o câncer de intestino que requer atendimento especializado, demorado e que envolve alta tecnologia, porque nem sempre só a cirurgia resolve o problema. Com freqüência, é preciso recorrer à quimioterapia e radioterapia. Adultos com os sintomas já citados, em especial adultos com anemia, devem obrigatoriamente fazer esse exame, já que nessa faixa etária ela é a causa mais freqüente de câncer do lado direito do intestino, uma doença com excelente prognóstico quando diagnosticado precocemente. Para aqueles que não têm sintomas é indicado um exame preventivo chamado rastreamento. Se não nada for encontrado, esse exame deverá ser repetido só cinco anos depois.

Drauzio - Na imagem 1 aparece um pólipo visto pelo colonoscópio dentro do intestino.
Angelita Gama - Quando o pólipo tem um pedículo, ou seja, esse rabinho parecido com um cogumelo, é mais facilmente retirado pelo aparelho. Na imagem 2, aparece a pinça que passou por dentro do aparelho e abraçou o pedículo que foi extraído e mandado para exame microscópico. Diante do resultado, o cirurgião ou o gastroenterologista definirá se essa ressecção foi suficiente ou não. No caso de degeneração maligna ter comprometido o pedículo, é preciso indicar a ressecção de um segmento do intestino.

Drauzio - Como nessa fase em que é feita a nova cirurgia a doença é curável em 100% dos casos, o câncer de cólon não precisaria existir.
Angelita Gama - É uma doença que poderia ser evitada. Não seria exagero dizer que hoje só terá câncer de intestino quem quiser, pois se espera que num futuro próximo a população menos favorecida também tenha acesso aos exames colonoscópicos.

Drauzio - Dói fazer esse exame?
Angelita Gama - Não dói. É um exame rápido, feito sob sedação, que pode ser realizado no consultório, em ambulatório ou até em hospital. O único desconforto é que exige uma limpeza do intestino, um preparo com limonada purgativa que determina uma diarréia intensa.

Drauzio - O intestino precisa estar bem vazio para que se possa enxergar direito seu aspecto interno.
Angelita Gama - Qualquer exame no intestino exige esvaziamento. Atualmente, já existe a colonoscopia virtual que não requer a passagem do aparelho. É uma tomografia que registra o diagnóstico. No entanto, se for detectado um pólipo, temos de recorrer à colonoscopia convencional para retirá-lo.

Recomendações


Drauzio - Quais são as recomendações para as pessoas que têm acesso à colonoscopia? Homens e mulheres devem fazer esse exame preventivo? Com que idade?
Angelita Gama - O câncer de intestino incide igualmente em homens e mulheres. Quem tem casos da doença em familiares de primeiro grau deve começar a fazer esse exame aos 40 anos. Quem não tem, aos 50, no máximo aos 60 anos. No folheto que escrevemos para alertar a população, falamos 60 anos, mas essa idade foi antecipada, nos Estados Unidos, para 50 anos, porque cada vez mais operamos jovens, porque eles seguramente estão se alimentando pior. Fast foods, corantes, excesso de álcool e de cigarros são fatores que promovem o câncer de intestino. Por isso, seria excelente que todas as pessoas pudessem fazer uma colonoscopia preventiva por volta dos 50, 60 anos. No entanto, aqueles que apresentam algum sintoma não têm escolha. Devem obrigatoriamente fazer esse exame assim que os sintomas aparecerem.

Drauzio - Com que freqüência esse exame deve ser repetido?
Angelita Gama - Quando dá negativo, o período mínimo de intervalo entre um exame e outro é de três anos. Nos Estados Unidos, a recomendação é repetir a cada cinco anos. No entanto, quem já extraiu um pólipo deve fazer o exame a cada três anos, no máximo, porque pode ter tendência a apresentar esses crescimentos anômalos.

Drauzio - Existe alguma indicação específica para a colonoscopia antes dos 40 anos?
Angelita Gama - Só se existirem sintomas como alteração do ritmo intestinal, anemia, perda de sangue, dor abdominal, emagrecimento, a colonoscopia é indicada para pessoas com menos de 40 anos.

Drauzio - Você se referiu várias vezes a alterações do hábito intestinal. Seria possível caracterizá-lo melhor?
Angelita Gama - É o caso do indivíduo que evacuava uma vez por dia todos os dias e de repente passa três ou quatro dias sem evacuar ou a evacuar quatro vezes no mesmo dia. Ele mudou a freqüência, mudou o ritmo intestinal. Se não houve alteração alimentar, essa mudança por si só é sinal de que deve procurar um médico para avaliação do quadro.

PREVENÇÃO DO CÂNCER DE INTESTINO


O Câncer de intestino é um dos mais freqüentes tumores do tubo digestivo, sendo que a cada ano cerca de 160 mil novos casos são diagnosticados nos Estados Unidos e em torno de 57 mil desses pacientes morrem da doença. Está entre as principais causas de morte por câncer, considerando os de pulmão, mama na mulher e próstata no homem.
No Brasil, este tipo de câncer está em quarto lugar entre os tumores mais freqüentes do sexo masculino, atrás apenas do câncer de estômago, pulmão e próstata.

A doença começa sempre como uma lesão benigna que vai evoluindo lentamente até transformar-se num tumor maligno.

Para uma melhor abordagem desse tema é conveniente recordarmos que o tubo digestivo está constituído pelo esôfago, estômago e intestino. Este por sua vez compreende dois segmentos distintos: Um segmento mais fino localizado após o estômago, chamada intestino delgado que está relacionado com a digestão e a absorção dos alimentos, e outro segmento mais grosso, o intestino grosso, que tem a função de armazenar, absorver água e nutrientes e excretar resíduos não aproveitados pelo organismo através das fezes.

O intestino grosso, por sua vez, é dividido em duas partes: o cólon e o reto. O cólon é a parte que se continua a partir do intestino delgado e vai até o reto, parte final do intestino grosso. As fezes formadas no intestino grosso são eliminadas pelo ânus.

Enquanto o câncer é muito raro nesse segmento mais fino (intestino delgado), é muito freqüente no intestino grosso. A doença começa sempre como uma lesão benigna que vai evoluindo lentamente até se transformar num tumor maligno. Nessa longa fase de benignidade, é possível retirar a lesão e com isso impedir sua degeneração e o aparecimento do câncer, daí a grande importância de sua prevenção.

Diagnóstico precoce:


É o emprego de exames para verificar a existência de um problema de saúde em pessoas que não apresentam sintomas.

O diagnóstico precoce do câncer é muito importante porque a identificação da doença, quando ainda não há sintomas, geralmente significa que a doença está em estágio inicial, onde as chances de cura são bem maiores.

Por conseguinte, o bom resultado do tratamento do câncer do cólon e do reto está diretamente relacionado ao diagnóstico precoce, ou seja, quanto mais cedo se faz o diagnóstico, maior o índice de cura, chegando-se a mais de 90% nos casos iniciais.

Fatores de risco para o câncer do cólon e do reto:


Atualmente acredita-se que o câncer do cólon e do reto seja causado por uma associação de fatores genéticos e ambientais.

Dentre esses fatores de risco podemos citar:

1) Dieta com alto teor de gordura e pequena quantidade de fibra:

Entre os ambientais, os fatores dietéticos são muito importantes. Alimentação rica em gordura animal, pobre em fibra e rica em corantes favorece a incidência desse tipo de câncer. É importante citar os corantes porque são elementos químicos que poderiam ser eliminados sem prejuízo, principalmente no Brasil onde existem pigmentos naturais que colorem os alimentos. Os corantes são fatores de risco porque liberam nitrosaminas no intestino, substâncias reconhecidamente cancerígenas. Se prestarmos atenção, veremos que atualmente as crianças ingerem uma quantidade enorme de corantes nos doces, balas, pirulitos, gelatinas e alguns refrigerantes. Atualmente até o algodão doce não é mais branco. É azul, cor-de-rosa, verde...

Na dieta rica em gordura predominam as carnes gordas, a manteiga e os queijos amarelos. A carne vermelha em si não é um alimento nocivo, mas a gordura que a acompanha é bastante, especialmente quando a carne é levada à brasa. Os alimentos salgados e defumados (lingüiças, salames, salaminhos), assim como os corantes, contêm substâncias carcinogênicas. Embora possamos usar o azeite, as frituras devem ser evitadas porque o óleo e/ou azeite se decompõe quando vai ao fogo. Recomenda-se evitar e não abolir, pois a alimentação deve ser agradável ao paladar e variada. Se a pessoa gosta de gordura animal não deve privar-se de saboreá-la, mas deve usá-la com moderação e aumentar a quantidade de verduras, frutas, legumes e cereais ingeridos. Estes alimentos são ricos em fibras que protegem realmente o intestino porque facilitam a evacuação, vez que aumentam o bolo fecal, aceleram o trânsito intestinal e diminuem o tempo de contato das substâncias carcinogênicas com a parede do intestino.

Obviamente que isso não ocorre de um dia para o outro. Acredita-se que o tempo para o desenvolvimento de câncer colorretal seja de décadas, por isso a idade de maior incidência do câncer de cólon está em torno dos 60 anos.

2) Hábitos e estilo de vida:

Estudos mostram que indivíduos que não praticam exercícios têm maior
risco em desenvolver câncer colorretal. Além disso, o fumo e o álcool estão direta e indiretamente relacionados com vários tipos de tumores, incluindo o câncer do cólon e do reto.

Na verdade, o que está ocorrendo com o ser humano contemporâneo é um afastamento de padrões mínimos de qualidade de vida, muitas vezes por culpa do próprio indivíduo que não gerencia adequadamente seu tempo, nem mesmo para alimentar-se corretamente. Além disso, o homem vive sob "stress" e sem lazer, fuma para diminuir a ansiedade e assim por diante.

Todas as pessoas devem refletir sobre seu estilo de vida e buscar equilíbrio dentro de suas possibilidades. O resultado aparecerá, não só com relação à prevenção do câncer de cólon, mas também com relação à prevenção de doenças cárdio-vasculares e da obesidade, objetivando uma vida saudável.

3) Idade:

Quanto maior a idade, maior o risco. A idade é um fator de risco muito importante, não só para os tumores de intestino, mas também para outros tipos de patologias. O câncer colorretal é mais comum após os 50 anos, contudo a doença pode ocorrer em pessoas mais jovens.

4) Pólipos:

Os pólipos são tumores benignos, parecidos com verrugas que se desenvolvem na parede interna do cólon e reto. Cerca de 60% dos pólipos do intestino são adenomas, os quais apresentam potencial para malignização. Por esse motivo, os pólipos de intestino do tipo adenoma são considerados lesões pré-cancerosas e daí a importância de seu diagnóstico e tratamento precoces para evitar a evolução para tumor maligno. Os demais tipos de pólipos do intestino são de menor importância clínica por não apresentar esse potencial para malignização.

Aproximadamente 5 em cada 100 adenomas se malignizam, sendo que esse processo se dá entre 10 e 15 anos. São mais comuns após os 50 anos, porém podem aparecer em idade mais precoce, especialmente se houver história de câncer colorretal na família. Cerca de 40% dos indivíduos com mais de 60 anos apresentam pólipos.

Muitas evidências sugerem que a maioria dos tumores do intestino grosso se desenvolve a partir de pólipos benignos.

Quem já teve no passado um pólipo intestinal tipo adenoma tem uma chance muito maior que a população em geral de apresentar nova lesão, podendo chegar até a 50% de possibilidade. Quem já teve vários pólipos, a chance pode chegar até a 80% de desenvolver novo pólipo.

5) História familiar de câncer intestinal:

Quanto mais pessoas de uma mesma família tiveram diagnóstico de câncer colorretal, maior o risco de desenvolver a doença.
Se o indivíduo tiver parentes próximos (pai, mãe, irmão, tios ou avós) que tiveram câncer de intestino o risco de contrair a doença aumenta muito especialmente se a doença acometeu um parente com menos de 40 anos de idade. Por isso, a partir dos 40 anos, para quem tem na família caso de câncer de intestino deve fazer periodicamente um exame endoscópico chamado colonoscopia.

Atualmente está bem estabelecido que há doenças hereditárias relacionadas ao câncer colorretal. Dentre elas estão o Câncer Colorretal Hereditário Sem Polipose (HNPCC = "Hereditary Nonpoliposis Colorectal Cancer") e Polipose Adenomatosa Familiar (FAP).

Ambas são doenças hereditárias, ou seja, que são transmitidas de pais para filhos, caracterizadas pela presença de vários casos de câncer colorretal na família. A Polipose Adenomatosa Familiar ou FAP corresponde a 1% dos casos de câncer colorretal. Caracteriza-se por centenas de pólipos em todo o intestino que podem ser detectados na puberdade. Uma vez detectados, se não removidos transformam-se em câncer.

Para determinar a presença de uma doença hereditária, além da avaliação de um médico especialista, é necessário um teste de predisposição ao câncer colorretal hereditário (exame de sangue que determina o gene alterado). Em um futuro ainda sem previsão, a meta será a correção do defeito genético herdado, evitando que a doença se manifeste em outras gerações.

6) Antecedentes pessoais de câncer:

Mulheres que tiveram câncer de ovário,
corpo do útero (endométrio) ou mama têm maior risco de desenvolver câncer colorretal. Quem já teve câncer de intestino no passado deve ficar atento ao funcionamento do intestino, pois o risco de desenvolver um segundo tumor é alto quando comparado ao de outras pessoas sem história pregressa de câncer.

7) Doença intestinal inflamatória:

A retocolite ulcerativa e a doença de Crohn são doenças inflamatórias benignas que causam inflamação em graus variados na mucosa do intestino grosso. As doenças inflamatórias intestinais estão associadas ao maior risco de câncer colorretal, especialmente em indivíduos com doença com mais de 8 anos de evolução.


Quadro clínico:

Os sintomas do câncer de intestino são extremamente vagos, como mudança do ritmo intestinal, isto é, prisão de ventre ou diarréia sem causa alimentar aparente, bem como anemias sem origem definida.

É o caso do indivíduo que evacua uma vez diariamente e de repente passa três dias sem evacuar ou evacua quatro vezes no mesmo dia sem que haja uma alteração na sua alimentação. Essa mudança do ritmo intestinal é um sinal de alerta indicativo de que o médico especialista (coloproctologista ou gastroenterologista) deve ser consultado para uma melhor investigação do quadro clínico.

Dependendo da localização do tumor, os sintomas são diferentes. Se ele estiver localizado no lado direito do abdome, as principais queixas serão enfraquecimento, anemia e alteração do ritmo intestinal com predomínio de diarréia. Se estiver do lado esquerdo, há também alteração do ritmo intestinal com predominância de constipação intestinal, ou seja, prisão de ventre. Quando o tumor se localiza no reto, o principal sinal do tumor é o sangramento. Sangue e puxo (ou tenesmo), caracterizado pela vontade periódica de ir ao banheiro e insatisfação provocada pela sensação de evacuação incompleta são sinais de câncer ou de doença inflamatória no reto. Resumindo, qualquer alteração no ritmo intestinal (constipação ou diarréia), anemia, sangue ou catarro nas fezes e emagrecimento são indícios de que o indivíduo pode estar com a doença. Na prática clínica é muito comum pacientes com sangramento retal atribuírem erroneamente a hemorróidas. É importante ficar alerta porque "nem tudo que sangra é hemorróida, pois câncer de intestino também sangra". Entretanto, há uma pequena diferença entre os tipos de sangramento. Na hemorróida o sangue vivo não se encontra misturado às fezes, ao passo que no câncer do intestino o sangue de cor viva vem misturado a elas. Para o paciente é difícil estabelecer essa distinção. Por isso, toda a pessoa que tem sangramento pelo ânus deve procurar o médico especialista para submeter-se a uma investigação clínica incluindo exame de toque retal e exame endoscópico, a fim de diagnosticar corretamente a doença. Isso é imperativo porque o câncer de reto é muito freqüente e um simples toque retal permite identificá-lo, além de possibilitar o exame da próstata nos homens.

Enfatizamos que a participação de um especialista é muito importante não somente para fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças que podem apresentar os mesmos sintomas de um tumor de intestino, mas também porque a sua orientação clínica e a solicitação do exame da colonoscopia com biópsias de tecidos suspeitos firmará o diagnóstico.
A biópsia é o único exame que pode determinar a presença do câncer. Uma vez diagnosticado o câncer, são realizados outros exames para determinar a extensão da doença (estadiamento). À partir deste ponto, uma equipe multidisciplinar constituída por: cirurgião geral ou coloproctologista, oncologista clínico, radioterapêuta, enfermeiro, nutricionista e psicólogo estarão acompanhando todo o tratamento.

Principais exames para o diagnóstico precoce do câncer colorretal:

- Toque retal
- Colonoscopia

Colonoscopia:

Em relação à prevenção do câncer de reto o diagnóstico é muito simples porque pode ser feito pelo exame de toque retal no consultório. Já o diagnóstico de câncer de cólon exige um exame chamado colonoscopia, cuja descoberta representou o maior avanço no conhecimento das doenças do aparelho digestivo. Esse exame permite a identificação não só de processos inflamatórios e tumores, como até de pequenos pólipos. Vimos que pólipo é uma verruga que começa bem pequena, do tamanho de uma cabeça de alfinete, com tendência a crescer e se transformar em câncer. Entretanto o seu crescimento é lento e leva de 10 a 15 anos para degenerar e se transformar num tumor maligno. Por isso o câncer de intestino leva vantagem, se comparado com os demais, que já se instalam como tumor maligno. É possível reconhecer o fator que o precede, visto que começa como um pólipo que cresce bem devagar.

A colonoscopia é um exame realizado por aparelho de fibra ótica, longo e flexível com cerca de 180 cm de comprimento, introduzido através do ânus, que permite a visualização do reto e de todo o cólon em mais de 95% das vezes. Para a realização do exame é necessário limpeza intestinal, feita com laxantes ou lavagem intestinal. Durante o preparo, é importante beber água em abundância para evitar a desidratação.

Antes do exame o médico administra um sedativo e um analgésico, em seguida o aparelho é conduzido por todo o intestino grosso e toda extensão de sua parede interna é examinada. Se for verificada a presença de pólipos, estes são removidos e enviados para exame anatomopatológico. Ao término desse procedimento o paciente é liberado, não sendo necessária internação.

Vantagens: A colonoscopia é na verdade o melhor, o mais sensível e específico procedimento para o diagnóstico de pólipos e de câncer do cólon e reto. Serve também para a prevenção e tratamento, ou seja, para a retirada de pólipos, que são analisados posteriormente através de exame de anátomo patologia.

Desvantagens: tem custo mais elevado que os demais exames utilizados para a mesma finalidade, devendo ser executado por profissional idôneo e especializado.

Outros exames utilizados para o diagnóstico precoce do câncer colorretal:

ü Pesquisa de sangue oculto nas fezes;
ü Retossigmoidoscopia;
ü Enema opaco com duplo contraste;
ü Colonoscopia virtual


Pesquisa de sangue oculto nas fezes:

Esse exame detecta a presença de sangue escondido (oculto) nas fezes. A presença de sangue pode ocorrer por sangramentos de úlcera gástrica, hemorróidas, doença inflamatória intestinal, pólipos intestinais ou câncer colorretal. São necessárias três amostras de fezes consecutivas e devem ser evitados alguns tipo de alimentos, alguns dias antes do exame.

Vantagens: É um exame barato, simples, de fácil realização e não causa desconforto ao paciente. Esse exame oferece a vantagem de poder detectar o câncer em estágios precoces e não os pólipos do tipo adenomas que, quando pequenos e médios, não sangram. Embora detecte cerca de 10% dos pólipos e metade dos casos de câncer esse exame mostrou-se útil quando associado a outros métodos diagnósticos. Desvantagens: Seu maior problema é o fato da ingestão de algumas frutas e de carne vermelha provocar resultados falsos-positivos, ou seja o exame indica presença de sangue nas fezes, mas na realidade não há nenhum sangramento no tubo digestivo. Em geral isso pode ocorrer em decorrência da falta de orientação do laboratório que realizou o exame quanto as restrições dietéticas necessárias a realização do exame.

Retossigmoidoscopia:

Exame realizado através de um tubo rígido de 25 cm de comprimento (retossigmoidoscopia rígida), ou por meio de um aparelho flexível de fibra ótica com 70 cm de comprimento (retossigmoidoscopia flexível) que é introduzido pelo ânus e permite visualizar internamente o reto e parte do cólon. Se for encontrada alguma lesão que possa indicar presença de tumor, uma biópsia deve ser realizada. Na manhã do exame é recomendado realizar uma refeição leve. É necessário uma pequena lavagem intestinal do paciente antes do exame.

Desvantagem: O aparelho alcança apenas o reto e parte do cólon, portanto não possibilita ser usado isoladamente como método de pesquisa de tumores em toda extensão do intestino grosso.

Enema opaco com duplo contraste:

Nesse exame radiológico o ar é injetado após a remoção do bário previamente introduzido no cólon por via baixa, o que faz que as lesões sejam evidenciadas pelo bário (contraste) que ficou retido. Essa técnica é mais sensível do que o enema convencional para a detecção de pólipos.

O exame requer um preparo com laxantes que se inicia 24 horas antes e sua realização é bastante desconfortável para o paciente.
Vantagens: permite visualizar todo o cólon e o reto, sendo empregado quando não for possível realizar a colonoscopia.

Desvantagens: Esse procedimento se destina ao diagnóstico das patologias do intestino grosso, entretanto não dispõe dos recursos da colonoscopia que possibilita a biópsia de tumores e a ressecção de pólipos. Além do desconforto o enema opaco não é capaz de detectar todos os tumores e pólipos pequenos.

Colonoscopia virtual:

Trata-se de uma tomografia computadorizada em três dimensões capaz de produzir imagens de todo o cólon de maneira rápida, não invasiva, sem a necessidade de sedação do paciente. Existem evidências de sua eficiência como exame de rastreamento dos tumores do cólon e reto, no entanto esse exame ainda não é facilmente disponível em nosso meio.

Prevenção do câncer do intestino:

A prevenção significa evitar os fatores de risco e aumentar os fatores protetores. Alguns fatores de risco como a idade não podem ser evitados, contudo estudos realizados na população permitem identificar situações ou hábitos que podem reduzir ou aumentar a chance de uma pessoa desenvolver a doença. Dentre os fatores protetores citamos:

ü Dieta rica em fibras e com pouca gordura de origem animal;
ü Prática de exercício físico de forma regular;
ü Não consumir fumo, bebidas alcóolicas e alimentos com corantes;
ü Remover pólipos (colonoscopia);
ü Observação: através de estudos, ainda não concluídos, observou-se que o uso de algumas substâncias reduzem o risco de desenvolvimento do câncer colorretal. Dentre essas substâncias estão as vitaminas E e C, o cálcio e o selênio, todavia o seu uso deve ser realizado sob supervisão médica, dentro de protocolos de pesquisa.

Quando os exames de diagnóstico precoce devem ser iniciados e com que freqüência:

A "American College of Gastroenterology" preconiza:

1) Indivíduos com risco médio (assintomáticos, com idade igual ou superior a 50 anos, sem outros fatores de risco: Indicado o exame de colonoscopia a cada 3 a 5 anos acompanhado de Exame de Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes em 3 amostras, anualmente;

2) Indivíduos com risco aumentado (indivíduos com um ou mais parentes de primeiro grau (irmãos, pais e filhos) com antecedentes de câncer ou pólipo tipo adenoma do intestino: Oferecer as mesmas opções para o indivíduo com "risco médio" , porém iniciando os exames aos 40 anos de idade;

2.1) Indivíduos com história pessoal de pólipo tipo adenoma (maiores de 1 cm ou múltiplos pólipos (adenomas) foram encontrados e removidos por colonoscopia): Devem submeter- se a novas colonoscopias a cada 3 anos;
2.2) Indivíduos com doença inflamatória intestinal: Devem submeter-se a colonoscopia a cada 1-2 anos;

2.3) Indivíduos com história familiar de Polipose Adenomatosa Familiar: Indicado realizar aconselhamento genético e teste genético para se verificar seu estado de portador do gene. Em caso de polipose, considerar colectomia;

2.4) Indivíduos com história familiar de Câncer Colorretal Hereditário sem Polipose (HNPCC = "Hereditary Nonpoliposis Colorectal Cancer"): Indicado realizar aconselhamento genético e teste genético, além de colonoscopia a cada 1-2 anos a partir dos 20-30 anos de idade e anualmente a partir dos 40 anos.

Observação:

Adultos com os sintomas já citados, em especial com mais de 40 anos de idade e portador de anemia apresentam indicação absoluta para submeter-se a colonoscopia, já que nessa faixa etária o câncer do lado direito do intestino é a causa mais freqüente de anemias. Vimos que quando diagnosticada precocemente essa doença oferece excelente prognóstico.


Prisão de ventre e hábitos intestinais:

A evacuação ideal deve ser diária e se caracteriza pelo bolo fecal consistente sem ser duro ou pétreo, nem líquido, vez que a evacuação diarreica é nociva para a nutrição da mucosa intestinal.

Os hábitos de evacuação, às vezes, se transformam num verdadeiro martírio para as pessoas que têm dificuldade para usar o banheiro e estabelecer horários para o intestino funcionar. Fisiologicamente é a cabeça da pessoa que comanda o intestino, porque na realidade é ela que comanda tudo. Quem tem intestino ressecado geralmente come mal. As pessoas pensam que se alimentam bem, mas uma folhinha de alface no prato é o suficiente para acharem que comeram salada. É preciso comer um prato enorme de salada para ingerir os ideais 20 ou 30 gramas de fibras. Quem não consegue fazer isso, deve complementar com frutas ou duas colheres de farelo de trigo ou de outro produto que contenha fibras preferencialmente de manhã adicionados ao leite ou ao iogurte, por exemplo. Outra coisa a ressaltar é que as pessoas, sobretudo as mulheres, comem fibras, mas não tomam o líquido necessário para a formação do bolo fecal. Mulher é avessa a tomar líquido, embora devesse tomar pelo menos 2 litros por dia.

De um modo geral as mulheres são mais obstipadas porque se alimentam pior. Gostam de docinhos ricos em hidrato de carbono e, como têm a preocupação de não engordar, ingerem uma quantidade menor de alimentos. E também não bebem água. Além disso, são exigentes com a limpeza e não usam qualquer toalete quando estão na rua ou no shopping. Às vezes, têm vontade de ir ao banheiro mas não vão. O mecanismo reflexo da evacuação é muito interessante. Se elas deixam escapar aquele momento porque estão com pressa ou porque não podem parar com o seu trabalho, o reflexo só reaparece no dia seguinte quando as fezes já estão endurecidas porque houve absorção da água que continham. Fezes duras, ou fecalitos, são difíceis de eliminar e surge a dor, a fissura, as hemorróidas. Progressivamente, para se defenderem, começam a tomar laxantes e instala-se um círculo vicioso. O intestino se acostuma, perde o reflexo, e elas são obrigadas a tomar quantidades crescentes desses remédios.

Do ponto de vista fisiológico, não existe um número ideal de evacuações diárias. Na verdade é variável, pois o tamanho do intestino difere de uma pessoa para outra. Os indivíduos que têm intestino mais longo necessitam de quantidade maior de fibras e evacuam menos. No entanto não é o número de evacuações diárias que interessa. O importante é ir ao banheiro uma vez ou duas por dia, ou dia sim, dia não, mas sem necessidade de fazer força para evacuar.

A consistência pastosa do bolo fecal deve proporcionar fácil eliminação.


Colaboração: Dr. José Joel Dantas