terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Estilo pin up com ares pós-modernos



Ter, 30 Dez, 12h50

Cintura marcada, batom vermelho, vestido justo com decote provocante ou simplesmente insinuante; cabelos extremamente loiros ou pretos sempre arrumados com franja, topete ou apenas presos; salto alto e unhas vermelhas. Se você já viu alguém assim na rua, provavelmente passou por uma pin up moderna.

Dita Von Teese, atriz e dançarina burlesca, é uma das que vive o estilo e é referência quando se fala em pin ups nos dias de hoje. Recentemente, ela lançou uma linha de lingerie retrô em parceria com a marca Wonderbra. Outras que aderiram à moda foram Kat Von D, tatuadora do L.A Ink, que faz o tipo pin up rocker; a modernete Kate Perry, que acabou inspirando as meninas mais novas que curtem seu som; e aqui no Brasil podemos citar a Pitty, que inclusive cortou sua franja igual à da recém-falecida e icônica Bettie Page.

Algumas meninas que curtem o som psychobilly também adotam o look pin up, usando topetes e roupas do gênero, como calças cintura alta, blusa xadrez e vestidos de bolinha, que mesclam com caveiras, teias e temas de terror. O psychobilly é a mistura do rockabilly com punk e, frequentemente, tem letras engraçadas baseadas em filmes de terror B da década de 1940 e 1950 – daí a inspiração no estilo retrô.

Garotas do calendário

Eram assim chamadas as garotas de calendários, geralmente atrizes ou sex simbols, que os soldados durante a Segunda Guerra levavam consigo para matar as saudades. Na década de 1940 e 1950, algumas pessoas as associavam ao vulgar, pois as fotos, muitas vezes, aguçavam a sexualidade masculina numa época em que a sociedade era extremamente conservadora e onde a mulher ainda era considerada digna apenas como dona de casa.

Foi nesta época também que as silhuetas das roupas se tornaram extremamente femininas e joviais. A volta dos cosméticos, após a Segunda Guerra, trouxe consigo uma variedade enorme de maquiagens que marcavam em especial os olhos, enalteciam a palidez da pele e realçavam a intensidade dos lábios, preferencialmente pintados de vermelho.

Reprodutibilidade
Elas se tornaram também símbolo do estilo pop e da produção em massa, uma vez que suas fotos passaram a ser encontradas em jornais, revistas e cartões postais, que eram devidamente pendurados nos armários e guarda-roupas masculinos. Vem desta origem o nome pin up, que significa "pendurar" em inglês.

Ilustradores como o peruano Alberto Vargas, que teve seus trabalhos publicados durante a década de 1940 na revista Esquire e criou as Vargas Girls, são referência até hoje quando o assunto são desenhos e fotos de pin ups; outro nome também importante é o do norte-americano Gil Elvgren, que dedicou suas ilustrações à publicidade. São deles as pin ups das propagandas da Coca-Cola e de outros anúncios entre a década de 1920 até os anos 1970.

Eternas
Bettie Page, Betty Gable e Marilyn Monroe são alguns exemplos de pin ups que são usadas como referência para compor o estilo. Bettie Page, que faleceu recentemente, foi a primeira modelo a posar nua na Playboy, em 1955 e a tirar fotos em posições de sadomasoquismo e bondage – o que lhe rendeu a acusação de apologia ao gênero.

Em 2005, foi lançado o filme The Notorious Bettie Page, que conta a história da rainha das pin ups. Betty Gable foi imortalizada por sua foto de maiô, virando para trás com um olhar sensual e por suas pernas e cintura esculturais. Marylin Monroe, que, antes de Madonna, era a mulher mais famosa do século 1920, dispensa apresentações.


Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/30122008/11/entretenimento-estilo-pin-up-ares-pos.html

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

AS GORDINHAS



Nós também gostamos das gordinhas - Parte 1

Com esta ditadura do "corpo perfeito", com mulheres magrelas sem bunda e com muito seios siliconados, criou-se a idéia de que uma mulher só pode ser feliz se pesar quinze quilos a menos do que seu corpo suporta!

Volta e meia eu vejo estas "modelos & manequins"(que nunca colocaram os pés em uma passarela) dizendo que se sentem ótimas magras: "Hoje, estou tão feliz por ser magra...".

Meu Deus! Parece que ter umas pelancas para fora da calça é crime capital!

Tem aquelas matérias que aparecem na mídia, mostrando uma garota de quinze anos, com um corpo de Deusa, onde a entrevistadora pergunta o que ela faz para manter a forma. Será que falta inteligência nesta gente? A coisa mais normal é uma garota de quinze anos ter um corpo de adolescente, sem estrias, celulites ou gordurinhas, não é?! E o que a apresentadora com cérebro de minhoca faz é matar as telespectadoras de raiva por não conseguirem duas coisas:

Voltar a ter quinze anos e, o mais frustrante, ter um corpo de quinze anos!

"Mulher para mim tem que ter o rosto gordinho, bem rosado, com aquelas bochechas gorduchinhas! Ela pode até ter o corpo magro, mas se tiver o rosto seco com um monte de ossos aparecendo, não acho legal! Por isso eu costumo namorar com umas mulheres que se parecem com portuguesinhas"
Luciano Alves, 25 anos


Continua...


Nós também gostamos das gordinhas - Parte 2

As gordinhas são tratadas como doentes, relaxadas e dignas de pena!

Tem muita gente que acha que elas são assexuadas, que nenhum homem tem coragem de ir para a cama com elas, e que só servem para quebrar galho na hora do tesão. Puro engano! Tem MUUUITOS homens que adoram uma gordinha, talvez muito mais do que se pensa! E conheço muitas gordinhas que fazem muito mais sexo que muitas mulheres magras por aí - e o mais importante, elas tem orgasmos, muitos orgasmos!

"Gosto de mulheres que tem conteúdo, que a gente aperta e sente muita carne. Para mim não tem esta de que magreza é sinal de saúde e vitalidade! Apertar uma mulher e só sentir ossos, deixa qualquer um sem tesão".
Kleber, 37 anos



Nós também gostamos das gordinhas - Parte 3

Tem mulher que olha para a outra com tanta raiva por ela ser magra, que parece que a coitada cometeu um pecado imperdoável. Este tipo de mulher acaba se sentindo tão pressionada a ser magra que acha que a outra, de uma forma ou de outra, tirou algo dela!

Também, é só a gente abrir uma revista para ver as matérias que associam a magreza à felicidade, com regimes milagrosos e mulheres que gastam milhares de dólares para se manter magras! Tudo parece tão fácil, não é? Não dá aquela sensação de que gorda é incompetente? Não parece que as magras merecem o céu e as gordas merecem queimar no inferno? As revistas dizem que basta comer papaia com granola e malhar por duas horas para ficar com o corpinho da Adriane Galisteu! Tá bom, me engana que eu gosto!

E o interessante é que estas revistas que se dizem femininas e feministas, em vez de incentivarem as mulheres a usarem mais a mente que o corpo, são as que mais aparecem com matérias escrotas, que fazem com que as mulheres que não tem um corpo perfeito, se sintam como a escória da sociedade!

E aquela estória de que o que importa é o interior de uma mulher, e não seu corpo?
Tem uma revista que se intitula "a revista da mulher moderna"mas deveria se intitular de "a revista da mulher fútil"!

"Mulher magra comigo não rola! Tem que ter curvas, peitos, bunda e coxas bem grossas...Até a xoxotas das gordinhas são mais bonitas. São fofinhas, estofadinhas, diferente das magrelas.
Lucas, 19 anos


Fonte: http://gmaravilhosas.blogspot.com/

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Concluindo etapas, encerrando ciclos


Fonte: Kabbalah Group

É importante, sempre, saber quando termina uma etapa da vida. Se você
insiste em permanecer nela, além do tempo necessário, perderá a alegria
e o sentido de tudo o mais. Encerrando ciclos, fechando portas, ou
encerrando capítulos, como queira chamar, o importante é poder
encerrá-los, deixando ir momentos da vida que se concluíram.

Terminou o seu trabalho? Acabou a sua relação com o parceiro? Você já
não vive mais numa determinada casa? Deve fazer uma viagem? A amizade
com alguém terminou? Roubaram você em sua casa? Morreu um ente querido?
Quebrou ou estragou um objeto de estimação? Você descobriu que o mentor
espiritual que seguia era uma fraude?

Você pode passar muito tempo do seu presente remoendo os porquês,
tentando devolver a cassetada que levou ou mesmo procurando entender
porque aconteceu tal fato em sua vida. O desgaste vai ser infinito, pois
na vida, você, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos temos de ir
encerrando capítulos, virando a página, concluindo etapas ou momentos da
vida e seguir adiante.

Não podemos estar no presente com saudades do passado. Nem sequer
perguntando-nos: por que? O que passou, passou, e temos que soltar,
desprender, não ficar preso ao que passou. Não podemos ser crianças
eternas, nem adolescentes tardios, nem empregados de empresas que já não
existem mais, nem ter vínculos com quem não quer estar vinculado a nós.
Não.

Os fatos passam e temos que deixa-los ir! Por isso, às vezes, é
importante destruir recordações, livrar-se de presentes, mudar de casa,
rasgar papeis velhos, desfazer-se de livros ou de objetos que são
desnecessários. As mudanças externas podem simbolizar processos
interiores de superação. Deixar ir, soltar, desprender-se. Na vida
ninguém joga com cartas marcadas e temos que aprender a perder e a
ganhar. Temos que deixar ir, virar a página, viver só o presente. O
passado já passou. Não espere que lhe devolvam o passado, não espere
reconhecimentos, não espere que em algum momento se dêem conta de quem é
você.

Solte o ressentimento, ligar o seu televisor pessoal para retornar ao
assunto, só vai causar-lhe dano mental, envenená-lo, amargurá-lo. Apesar
do tempo não ser linear, a vida está para a frente, nunca para trás. O
que passou deve servir apenas para que continue a viver com mais
sabedoria. Se você anda pela vida deixando portas abertas, nunca poderá
desprender-se nem viver o hoje com satisfação. Noivados ou amizades que
não se fecham, possibilidades de regressar para que? Necessidade de
esclarecimentos, palavras que não se disseram, silêncios que o
invadiram: se puder enfrentá-los já e agora, faça-o! Se não, deixe-os
ir, encerre os capítulos. Diga a você mesmo que não, que não deve
voltar.

Mas não por orgulho, nem por soberba, mas porque você já não se encaixa
aí, nesse lugar, nesse coração, nessa habitação, nessa morada, nesse
escritório ou nesta profissão. Sua freqüência agora é outra. Você já não
é o mesmo que foi há dois dias, há três meses, há um ano. Portanto, não
há porque voltar. Feche a porta, vire a página, encerre o ciclo. Nem
você será o mesmo, nem as circunstâncias seriam as mesmas, porque na
vida nada se mantém quieto, nada é estático. É saudável mentalmente ter
amor por você mesmo, desprender-se do que já não está em sua vida.
Recorde que nada nem ninguém é indispensável. Nem uma pessoa, nem um
lugar, nem um trabalho, nada é vital para viver
porque:

Quando você veio a este mundo, chegou sem qualquer adesivo ou etiqueta.
Portanto, é apenas costume viver apegado a um adesivo ou etiqueta. E é
um trabalho pessoal aprender a viver livre, sem o adesivo ou etiqueta,
humano ou físico que hoje lhe dói deixar ir. Mas, encerre, feche, limpe,
jogue fora, oxigene, desprenda-se, sacuda, solte. Existem muitas
palavras que significam saúde mental e qualquer que seja a que você
escolha lhe ajudará definitivamente a seguir adiante com tranqüilidade.

Esta é a vida.

sábado, 15 de novembro de 2008

AS MULHERES GOSTAM DE FICAR TRISTES


[*Texto retirado do Blog do Sales]


Você olha para a sua mulher e ela está com a cara amofinada. Hum. Aí tem. Você a conhece, sabe que ela está chateada. Será que é algo que você fez? Ou algo que você não fez? Deve ter sido. Sempre é. Você chega para ela com todo o jeito e:
— Quê que foi?
Ela, ligeiramente impaciente:
— Quê que foi o quê?
— Você parece chateada...
Um pouco menos ligeiramente impaciente:
— Não é nada.
— Como assim, não é nada? Você está estranha.
Depois de um suspiro baixo, definitivamente impaciente:
— Estou triste, só isso.
— Por quê?
Outro suspiro. Levemente irritada:
— Por nada.
— Como assim por nada? Tem que ter alguma coisa!
Mais levemente irritada:
— Por nada, já disse!
— Ninguém fica triste por nada! Tem que ter algo!
Horrivelmente irritada:
— Já disse que não tenho nada!
E, antes que você possa contra-argumentar, ela pronuncia a frase definitiva e irrespondível:
— Tenho o direito de ficar triste!
Essa frase sempre me desconcerta. Porque direito é sempre algo bom, não é? A pessoa tem direito de morar bem, direito de ser feliz, direito de ganhar o décimo-terceiro e tal e coisa. Ninguém reclama ter o direito, por exemplo, de ser atropelado. Ou, sei lá:
— Tenho o direito de ter hemorróidas!
— Tenho o direito de fazer tratamento de canal!
— Tenho o direito de passar a minha vida inteira em Timboteua!
A mesma coisa isso de ficar triste. Por que as mulheres reivindicam o direito de ficar triste? Quem é que gosta de ficar triste?
Bem. Elas gostam. Elas querem ter o direito disso.
Assim, quando a sua mulher disser que não compreende por que você sofre por causa do futebol, responda simplesmente:
— Tenho o direito de sofrer!
Para você isso não significa nada, mas ela entenderá.
Por ter travado esse diálogo inúmeras vezes, sei que, na verdade, tudo não passa de uma cilada. Quando uma mulher está triste, ela quer que você pergunte por que ela está triste, mas, ao mesmo tempo, ficará irritada se você perguntar por que ela está triste.
Ela quer é falar. Falar, falar, falar. Vai dizer que as coisas estão erradas na vida dela, que ela precisa mudar e biribibi, mas não será nada objetivo. Muito irritante, sei, mas você precisa se conter e não perguntar os motivos de tudo aquilo. Não tem motivo, compreendestes? Toda aquela cena é só para falar. Falar, falar, falar.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Dez passos para superar uma separação

Por Eduardo Diório


São Paulo, 13 (AE) - Terminar uma relação não é fácil. O sofrimento e a sensação de "perda" são inevitáveis. Especialistas comentam 10 passos para superar o fim do romance



A decisão

É a primeira etapa, que ocorre quando as insatisfações se tornam visíveis e não existe mais diálogo e companheirismo. O processo de decisão da ruptura, por qualquer uma das partes, é lento. "É assustadora a idéia de construir uma vida sozinho e triste admitir que o relacionamento acabou. Há muito medo e dúvida envolvidos, seja por questões financeiras ou emocionais", explica Jacy Bastos, psicoterapeuta de casais e família e criadora do Grupo de Orientação para Descasados (Godes). Segundo ela, essa fase pode ser aberta e conhecida pelo casal, se optam por discutir os problemas, ou silenciosa. Passa o tempo e as coisas pioram novamente, com uma carga mais insuportável. O momento de decisão fica mais claro quando ao invés de questionar "como está o casamento?", começam a perguntar "como eu estou?".



A negação

É um mecanismo de defesa do psiquismo acionado diante de situações que a pessoa ainda não está pronta para lidar. Quando ela se fortalece, pode ver a situação tal qual ela é e, por vezes, pode se arrepender do que fez, se questionando, se foi a atitude mais correta ou não. "Isto pode também gerar o sentimento de culpa, a pessoa começa a reavaliar as suas atitudes e verificar que poderia ter feito de forma diferente", completa Maura de Albanesi, psicoterapeuta pós-graduada em psicoterapia corporal e master pratictioner em neurolingüística.



O fracasso

"Temos uma visão distorcida a respeito dos términos, dos finais de qualquer coisa, principalmente de relacionamentos afetivos. Encaramos isso como fracasso", acredita Denise Impastari, psicoterapeuta junguiana e psicóloga clínica. De acordo com a especialista, a vida é cíclica e passa por todos os movimentos. "O que acontece é que investimos muito pouco em nós mesmos para nos tornarmos pessoas inteiras. Ainda estamos insistindo 'nas metades da laranja'. Quem é metade e se casa com outra metade consegue, no máximo, duas metades. Esse modelo já está mais do que fracassado." No primeiro momento em que 'duas metades' se encontram, o que ocorre é uma projeção, que é natural, mas não para sempre. "Achar que nunca mais vai ser feliz é neurotizar a relação, acreditar que vai sempre repetir a mesma coisa e vai mesmo se a pessoa não se tornar menos órfão", diz Denise.



A culpa

A culpa prende a pessoa no passado, podendo deixar conseqüências no presente, apenas se martirizando por algo que já aconteceu, e que acredita não ter mais concerto. "Este sentimento de culpa a conduzirá ao sentimento de medo de se lançar em novos relacionamentos, pois poderá passar a não acreditar mais em si, na sua capacidade de lidar com os problemas", avisa Maura.



A rejeição

"Se a separação foi pedida pelo outro, é inevitável. Uma das coisas mais difíceis de ouvir é que você não é mais amado. A auto-estima cai, você se sente feio, desinteressante. Cuidado para não se humilhar ou transformar esse sentimento em rancor, principalmente quando o outro começar a namorar de novo", alerta Jacy.



O medo

O medo também paralisa, impedindo a pessoa de seguir em frente, duvidando das suas potencialidades. "A negação, culpa e medo se entrelaçam de tal forma que a pessoa se vê aprisionada dentro de si mesma, isto é, ela acha que tudo que foi vivido e experimentado é uma verdade absoluta, ficando cega para reconhecer novas oportunidades", comenta Maura. De acordo com ela, para reverter esta situação e sair desse ciclo vicioso, é interessante seguir alguns passos: aceitar que, no momento em que tudo aconteceu, não se sentia pronta o suficiente para agir de outra forma; aprender com os erros, pois é uma forma sábia de se viver; trabalhar com otimismo e encarar os erros com humildade; e desenvolver a coragem e a autoconfiança e sempre recomeçar.



Os altos e baixos

"É natural que a pessoa se sinta oscilando após o término de uma relação. Afinal, é legítima a sensação de liberdade, ora, a sensação de falta. Ocorrem os dois ao mesmo tempo, pois não existe apenas perda, mas também os ganhos em qualquer término", avisa Denise. Para ela, com o tempo, "tudo se integra e se minimiza, já que o sofredor não fica mais preso somente a um lado (o negativo). Os ganhos também começam a aparecer".



Manter a amizade ou querer vingança

É difícil quebrar o vínculo com quem se foi tão íntimo, amado e que te conhece tão bem. Quase impossível. O tempo cura isso e o distanciamento é inevitável, mesmo que a separação tenha sido amigável. É, acima de tudo, essencial para o recomeço da sua vida. "Não fique se sentindo na obrigação de entender tudo, compreender o que o outro sente, o que está acontecendo e não se culpe por ataques de ciúmes e posse. Tente ser amigável, sim, mas respeite seus limites. Se você sofre ao ouvir que o outro saiu com amigos, não pergunte e não procure saber", ensina a psicoterapeuta Jacy. Do lado oposto, "não nutra ódio ou revanche. No fundo esses sentimentos também são a maneira, negativa, de não cortar o vínculo, um processo lento, doloroso e necessário." A dica da profissional é: melhor não falar com o 'ex' do que fica brigando e tramando vingança. É melhor para você.



Começar de novo

"É complicado e, no começo, muito desanimador. Há a excitação de cair no mundo, solteiro, fazer o que quiser, decorar a casa como bem entender. Mas há o medo, a solidão, o vazio", reconhece Jacy. A cama, que antes tinha dois, agora só tem você, coisas que estava acostumado a fazer não tem mais graça sem a companhia do outro. É preciso ter coragem e estrutura emocional nessa hora. Segundo Jacy, o ideal é reunir os amigos, a família, ter sempre gente por perto para os momentos de solidão. "Mas não fique empurrando os sentimentos para debaixo do tapete. Devagar, vá se acostumando com o tempo que tem para você. Ele também é precioso."



A perda definitiva

Segundo Denise, o estágio da paixão traz a sensação de complementação total. "O problema real passa a ser a cegueira sobre nós mesmos. Acreditamos que o outro existe para nos dar aquilo que não nos damos. Sentimento de posse do outro é seu." De acordo com a psicoterapeuta junguiana e psicóloga clínica, isso não tem a ver com o amor e, sim, com o poder. "Aonde você estava que não percebeu que a relação estava chegando ao fim? O final é seguido do início, de algo novo, que pode ser na mesma relação ou fora." Para a especialista, uma coisa que ajuda muito é se incluir em tudo, ver qual a sua participação (não culpa) para que as coisas chegassem aonde chegaram. "Com isso, sair do papel de vítima poder fazer algo de bom com essa experiência. Até porque, se saímos de uma relação e já emendamos outra, trocamos 'seis por meia dúzia'." Caso a outra pessoa esteja namorando e você não, "isso vai fazer falta lá na frente, já que as pessoas não começam a namorar outra em seguida só porque estão felizes. Muitas pessoas não sabem ficar 'sozinhas', ou seja , não suportam ficar com elas mesmas".

Espontaneidade primordial: diante de tudo, só nos resta gargalhar

por Gustavo Gitti 12 November 2008

“Já que todos os fenômenos
são apenas espectros,
perfeitos sendo apenas o que de fato são,
sem qualquer inclinação para bem ou mal,
aceitação ou rejeição,
podemos realmente gargalhar”
Longchenpa, mestre budista do séc. XIV

Mulheres e mestres de meditação concordam. Quando perguntadas sobre o que faz um bom primeiro encontro, a maioria responde: “Ele tem de ser espontâneo”. Quando indagados sobre a qualidade que surge após muito desenvolvimento espiritual, os mestres são unânimes: “Espontaneidade”.

Veja o vídeo abaixo. Será que ficaremos assim quando descobrirmos espacialidade, luminosidade e ludicidade em qualquer fenômeno?

http://www.youtube.com/watch?v=cXXm696UbKY

Espontaneidade, quando em vida adulta, é sinal de algum grave problema – não ter filtro social, por exemplo, e sair andando nu pela rua – ou de muita sabedoria. Aliás, no Budismo, o tipo mais sofisticado de ação sábia e compassiva tem um nome: crazy wisdom (louca sabedoria). Em tibetano, a expressão é yeshe chölwa, sendo que yeshe significa sabedoria e chölwa seria algo como insano, “gone wild” em inglês ou, mais especificamente, sem ponto de referência.

A idéia de viver sem ponto de referência pode significar se mover sem referência alguma. Neste caso, recomenda-se medicamentos e terapia, claro. A mesma idéia também pode significar, por outro lado, viver com a capacidade de transitar entre incontáveis referências, sem fixação por nenhuma delas. A liberdade é a condição de possibilidade da autêntica espontaneidade. Chögyam Trungpa Rinpoche, mestre de Pema Chödrön (atualmente mais conhecida que ele aqui no Brasil), foi o grande propagador dessa abordagem.

Não precisamos de muito esforço para experimentar vislumbres disso. Depois de pouco tempo de meditação, nossa percepção sensorial fica bem mais aguçada. Estou falando de cores, cheiros e texturas, afinal não me interesso por nada extra-sensorial. Cada fenômeno surge de modo mais nítido, límpido. As coisas ficam vivas e coloridas, como se fosse a primeira vez. De fato, todas as coisas surgem dessa espontaneidade primordial a todo momento. Somos nós que embaçamos e descolorimos tudo com nossos monólogos internos e padrões de reação condicionada.

A arte zen é um dos mais claros exemplos de como a espontaneidade pode ser cultivada pelo abandono de nossas identidades e certezas. Todas trabalham com isso à sua maneira: arranjo floral, cerimônia do chá, teatro, pintura, técnicas marciais, caligrafia, poesia. Quem nunca se comoveu com as três simples frases de um haikai? Matsuo Bashô foi o grande mestre nessa arte. Seu haikai mais famoso é (em uma de suas infinitas traduções):

Olha o velho lago –
Após o salto da rã
O barulho da água.

É possível encontrar várias histórias que descrevem em detalhes como um tapa na cara ou um gotejar do telhado fazem surgir a iluminação derradeira em um meditante. Naquele simples momento, toda a estrutura do real é instantaneamente desvelada e o resultado disso é uma enorme gargalhada. É como se nosso casamento de 20 anos fosse precisamente igual a um carro que passa buzinando na rua enquanto meditamos. O som surge do nada, vive por um tempo e logo cessa. Quando realmente estamos abertos, isso é um milagre! Todos os fenômenos são iguais à cena descrita por Bashô: tchibum, zapt, ploft.

Um outro grande exemplo de homem espontâneo é Alberto Caeiro, o mais famoso heterônimo de Fernando Pessoa. Sua poesia é uma celebração da presença lúdica no mundo, aberta ao frescor dos eventos, à “eterna novidade do mundo”. Ser espontâneo é justamente isso: ser “nascido a cada momento”, como ensina Caeiro.

Deixamos cair conceitos e estratégias, deixamos de tentar controlar, ser alguém ou atingir algo. Abrimo-nos ao mundo, sem armas, sem defesas. Desse modo, como não há estratégias por trás, quando surgir uma ação, ela brotará da mesma base que dá luz a cada átomo do universo. As mulheres estão certas: uma noite de amor que não nascer disso, bem, não vale a pena nem começar.

Podemos olhar agora para toda a nossa vida. Acontecimentos, pessoas, histórias, momentos. Por toda parte, não há nada que seja diferente do papel cortado pelo bebê no vídeo. Só que, em vez de gargalhada, surge medo, dor, ansiedade. Ao mesmo tempo, o simples fato de sorrirmos junto com o bebê acima já prova que possuímos essa mesma espontaneidade primordial dentro de nós. Nascemos dela e, sem saber, somos por ela alimentados a cada segundo.

Uma das primeiras descobertas de quem começa a meditar é a de que os fenômenos não são tecidos de modo causal – um levando ao outro, um em cima do outro. Eles pulam diretamente de uma base ampla e livre, um a um, como se fossem (e são) autônomos. Se assim não fosse, a ação livre seria impossível: depois de uma traição, como não sentir raiva e impulso de vingança? Encontrar e surgir a todo instante desse espaço básico, sem agir a partir de coerências passadas, é o nosso desafio para vermos papéis cortados em todas as direções.

Dinheiro, emprego, problemas, crises e amores. É tudo nonsense, é tudo sonho, mistério e diversão. Já é hora, pois, de pegarmos a vida com as mãos e brincarmos sem esconder as gargalhadas.

Leia também:

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Existirmos: a que será que se destina? [Lembrei de um amigo de muitos anos ao ler este texto!!!]



Mar 13, '09 1:04 AM
by Breezecat- for everyone



Odeio seus olhos, sua perfeição, seus lábios, seu toque, odeio sua omissão.

Sua forma de agir, seu abraço, seu sentir, seu descaso fingido.

Odeio sua razão, seu racional, seu passional, sua mania de se achar sempre certo.

Odeio seus textos perfeitos, sua inteligencia, seu sarcasmo, suas construções, suas explanações, sua forma de não me deixar ir.

Odeio todos os seus defeitos pelos quais passo por cima facilmente, odeio tudo o que poderia ter sido e não foi. Odeio pensar nisso.

Odeio saber que existo pra vc, odeio saber que vc sabe que eu sei.

Odeio mais ainda saber, que isso não vai mudar nada.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Muito Obrigada! Obrigada! Obrigada! Obrigada!



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Amados,
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Dedico esta música ao Meu Senhor Jesus, que me livrou da quimioterapia e da radioterapia, dedico também a todos que oraram por mim e pela minha recuperação.
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Ainda estou me recuperando da cirurgia, mas estou livre da possibilidade de tratamento extra para o câncer e só tenho a agradecer ao Pai Eterno e aos amigos que me deram forças com suas mensagens e orações...
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Muito Obrigada! Obrigada! Obrigada! Obrigada!
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Música: Alegria / Composição: Arnaldo Antunes
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Eu vou te dar alegria
Eu vou parar de chorar
Eu vou raiar o novo dia
Eu vou sair do fundo do mar
Eu vou sair da beira do abismo
E dançar e dançar e dançar
A tristeza é uma forma de egoísmo
Eu vou te dar eu vou te dar eu vou
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Hoje tem goiabada
Hoje tem marmelada
Hoje tem palhaçada
O circo chegou
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Hoje tem batucada
Hoje tem gargalhada
Riso e risada
Do meu amor
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Um beijo grande

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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A musica que escolhi para o meu velório e cremação...

Beijar e Dizer Adeus


Este deve ser o dia mais triste da minha vida
Chamei você aqui hoje por causa
de umas más notícias
Eu não poderei te encontrar mais
Por causa das minhas obrigações
e dos vínculos que você tem
Nós temos nos encontrado aqui, todos os dias
E já que este é nosso último dia juntos
Eu quero te segurar só mais uma vez
Quando você virar e se afastar, não olhe para trás
Eu quero lembrar de você bem assim
Vamos apenas nos beijar e dizer adeus
.
Eu tinha de encontrar você aqui hoje
Existem simplesmente tantas coisas a dizer
Por favor, não me interrompa até que eu termine
Isto é algo que eu odeio fazer
Nós temos nos encontrado aqui durante tanto tempo
Eu creio que aquilo que fizemos estava errado
Por favor, querida, não chore
Vamos apenas nos beijar e dizer adeus
.
Muitos meses passaram por nós,
(Eu sentirei sua falta)
Eu sentirei sua falta, não posso mentir.
(Eu sentirei sua falta)
Eu tenho vínculos, e você também
Eu simplesmente acho que está é a coisa a fazer
Isso vai me magoar, não posso mentir
Talvez você encontre, você encontre um outro cara
Compreenda-me, você não vai tentar,
tentar, tentar, tentar
Vamos apenas nos beijar e dizer adeus
.
(Eu sentirei sua falta)
Eu sentirei sua falta, não posso mentir
(Eu sentirei sua falta)
Compreenda-me, você não vai tentar
(Eu sentirei sua falta)
Isso vai me magoar, não posso mentir
(Eu sentirei sua falta)
Tome meu lenço e enxugue seus olhos
(Eu sentirei sua falta)
Talvez você encontre, você encontre um outro cara
(Eu sentirei sua falta)
Vamos nos beijar e dizer adeus, coisinha linda
(Eu sentirei sua falta)
Por favor, não chore. (Eu sentirei sua falta)
Compreenda-me, você não vai tentar?
(Eu sentirei sua falta)
Vamos apenas nos beijar
E dizer adeus

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Combate ao Câncer do Intestino Grosso


O câncer de intestino, doença que acomete em sua maioria pessoas que já passaram dos 50, está sendo detectado com mais freqüência nos últimos anos. Para esclarecer a enfermidade, conversamos com o Dr. Álvaro Lins, Chefe do Serviço de Colo-Proctologia do Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes.

O que é o Câncer do Intestino?

O câncer do intestino grosso, chamado também de tumor do cólon e do reto ou colorretal, é uma doença que pode e deve ser evitada. Trata-se de um dos tumores mais freqüentes entre homens e mulheres no mundo ocidental.

É o quinto câncer mais diagnosticado no Brasil, e o segundo na região sudeste. Quando descoberto tardiamente pode ser fatal. Quase metade dos pacientes com este câncer ainda morre em menos de 05 anos após tratamento. Por isso é tão importante a sua detecção precoce, quando a possibilidade de cura é grande. Quando detectado no começo, a sobrevida ultrapassa 90%.

O que é detecção precoce?

É encontrar o câncer do intestino em uma fase bastante inicial, quando pode ser curado através de cirurgia. Em casos mais avançados ainda há possibilidade de cura, porém tornam-se necessárias operações maiores e associação de quimioterapia e/ou radioterapia.

Como evitar o aparecimento do câncer do intestino?

O câncer do intestino grosso (cólon e reto) é facilmente evitável. Quase sempre ele se inicia através de um pólipo que cresce na parede do intestino e que pode se transformar em câncer com o tempo. Quando esse pólipo é retirado durante um exame de colonoscopia, está se impedindo que ele se transforme em câncer, sem necessidade de cirurgia.

O que são pólipos?

Pólipos são lesões benignas que se desenvolvem na mucosa (superfície interna) do intestino grosso de algumas pessoas. Geralmente não apresentam sintomas, e só são descobertos quando é realizado exame de colonoscopia ou Raio X do intestino (chamado de enema opaco). Através da colonoscopia, o pólipo pode ser retirado e examinado para saber se já se transformou em câncer.

Quem pode ter pólipos?

Qualquer pessoa pode ter pólipos ao longo da vida. Alguns jovens podem ter pólipos também e muitas vezes estes estão associados a doenças genéticas. Alguns hábitos podem facilitar o aparecimento de pólipo e de câncer: o fumo, o consumo de dieta rica em gorduras e pobre em fibras, ingestão freqüente de álcool e de alimentos com corantes artificiais.

Quais as situações de risco para o câncer do intestino?

Quando a idade ultrapassa a casa dos 50, qualquer pessoa fica mais sujeita ao aparecimento deste câncer. Algumas situações aumentam este risco: História pessoal ou familiar de pólipos benignos, câncer do intestino, retocolite ulcerativa ou Doença de Crohn de longa duração, câncer de mama, ovário ou útero. Alimentação e vida saudáveis são ótimos aliados na prevenção.

Quais os principais exames que podem ser feitos?

O exame mais importante para detecção precoce do câncer do intestino grosso, e sobretudo do reto, é o exame proctológico. Este exame consiste no toque retal e na retossigmoidoscopia que é o exame da parte mais baixa do intestino. Quando adequadamente realizado, grande número destes tumores pode ser identificado. O exame proctológico deve ser complementado nos indivíduos de risco, ou em todos com sintomas intestinais, pelo exame colonoscópico.

O que é colonoscopia?

É o exame por dentro de todo intestino com visão direta. Permite fazer coleta de material para biópsia ou a retirada de pólipos. O exame requer limpeza adequada dos intestinos e leve sedação anestésica.

O que é rastreamento?

É o conjunto de medidas tomadas para a identificação de pólipos ou de câncer precoce em indivíduos sem sintomas.

Quais são os sintomas do câncer do intestino?

Os tumores de intestino, em geral, crescem de forma silenciosa. Os sintomas só aparecem quando estão mais desenvolvidos. Geralmente, as condições apresentadas são: sangramento anal, sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal (diarréia e prisão de ventre alternados), vontade freqüente de ir ao banheiro, sensação de evacuação incompleta (puxos), dor ou desconforto abdominal ou anal, fraqueza, anemia, sensação de gases ou distensão, perda de peso sem causa aparente.

Se você apresentar algum destes sintomas procure um médico imediatamente Note bem: nem todo sangramento pelo ânus é causado por hemorróidas. Hemorróidas não causam câncer, porém podem confundir o diagnóstico.

Como e quando se deve ser examinado?

Se você pertence ao grupo de risco normal (isto é, não tem os antecedentes já mencionados para câncer), só deve ser examinado a partir dos 50 anos, e fazer pesquisa de sangue oculto nas fezes, repetindo anualmente. Se o resultado for positivo, você deve consultar um médico especialista (colo-proctologista). A partir dos 60 anos, também é preciso realizar a colonoscopia (preferivelmente) ou o enema opaco, e repetir a cada 10 anos.

Se você pertence ao grupo de risco aumentado, isto é, quando tem antecedente pessoal ou familiar de câncer do intestino, deve iniciar o rastreamento aos 40 anos – ou antes – incluindo colonoscopia. O risco de câncer de intestino grosso é maior em quem tem histórico deste tumor na família.

O que se pode fazer para evitar o câncer do intestino grosso?

Além dos exames de rastreamento nas idades adequadas, alimentação e estilo de vida saudáveis são muito importantes. Algumas dicas: consuma boa quantidade de fibras, frutas e vegetais, e reduza a quantidade de gorduras, principalmente as de origem animal. É recomendado que você coma pelo menos 25 a 30g de fibras (02 colheres de sopa) e cerca de duas xícaras e meia de frutas/verduras ao dia. O uso de suplementos alimentares com fibras pode ajudá-lo a atingir esta meta. Não fumar e diminuir o consumo de álcool também é fundamental.

Câncer de Intestino Grosso Familiar: Como Abordar a Família?

Neste Artigo:

- Introdução
- Câncer de Cólon e Tubo Digestivo
- O Que Causa o Câncer de Cólon?
- Câncer de Cólon e Hereditariedade
- Câncer de Cólon Familiar – Síndromes Familiares
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O câncer de intestino grosso, também chamado câncer de cólon, atinge um enorme número de pessoas em todo o mundo, estando juntamente com os cânceres de pulmão e mama, entre os três cânceres mais freqüentes no mundo ocidental. Na maioria das vezes (90%) ele ocorre após os 50 anos, aumentando progressivamente sua incidência principalmente após os 60 anos e atingindo seu pico aos 75 anos de idade. Têm-se descoberto alguns fatores responsáveis pelo seu aparecimento como dieta rica em gordura animal e pobre em frutas e vegetais. O restante dos casos (10%) está relacionado com doenças familiares hereditárias transmitidas geneticamente.

Introdução

O texto que se segue enfatiza os procedimentos de rastreamento nas famílias que possuem pessoas afetadas por síndromes familiares hereditárias, o que tem diminuído consideravelmente a mortalidade dessas pessoas. Embora pareça ser um número relativamente pequeno, 10% de 570.000 (número de casos novos de câncer de cólon por ano somente nos EUA) são 57.000 casos que poderiam ser evitados ou tratados quando ainda em tempo hábil.

Câncer de Cólon e Tubo Digestivo

O câncer do intestino grosso (CA de cólon) é a doença maligna mais freqüente do trato gastrintestinal ou tubo digestivo, que é formado pela cavidade oral, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso. Outros órgãos como o fígado, vesícula biliar e pâncreas também têm importantes funções digestivas, estando por isso, inseridos nesse sistema, apesar de não fazerem parte do tubo digestivo propriamente dito. O CA de cólon, de pulmão e de mama são os três tipos de câncer mais comuns na maioria dos países do mundo. O CA de cólon conta com 570.000 casos novos por ano somente nos EUA, sendo muito comum principalmente no mundo ocidental.

O Que Causa o Câncer de Cólon?

Existem dois grandes grupos em que são divididos os tipos de CA de cólon. Tal divisão é feita através das causas mais prováveis em cada um desses grupos. No primeiro grupo estão aquelas doenças genéticas hereditárias que levam a modificações nas células do intestino grosso, predispondo-as às transformações malignas. Elas são responsáveis por cerca de 5% a 10% dos casos. Neste grupo, existem várias síndromes familiares. São doenças que se manifestam geralmente na segunda década de vida, com sintomas intestinais ou em outros órgãos. Na grande maioria dos casos, há várias pessoas dentro de uma família com a doença. No outro grupo estão os casos não hereditários. Representam cerca de 90% de todos casos de CA de cólon. As causas, nesse grupo, estão sendo amplamente estudadas, sendo que até o momento, além das causas genéticas, parece ser a dieta um fator de extrema importância. Assim, sabe-se que uma dieta rica em gordura principalmente animal está relacionada com o desencadeamento da doença. Alimentos como fibras vegetais, frutas e fibras solúveis têm sido consideradas como protetores do intestino grosso. A idade também tem uma grande relação com a ocorrência dessa doença, sendo que há um crescimento do número de casos após os sessenta anos com pico em setenta e cinco anos.

Câncer de Cólon e Hereditariedade

Antes de 1990, o papel dos fatores hereditários como causa do CA de cólon em adultos era pouco conhecido e por isso pouco interessava aos médicos e pesquisadores. Na última década, tal interesse tem crescido e a descoberta de genes responsáveis por várias doenças dentro desse grupo tem possibilitado um maior rastreamento de famílias que possuem um alto indício de suspeição. Entretanto, apenas um pequeno número de famílias encaminhadas para exames genéticos tem alterações nos genes até então descobertos. Outro fator limitante é o custo e disponibilidade de se fazer estudos desse tipo em todas as famílias indicadas. Por isso, há uma necessidade de distinguir as famílias que precisam de consultas especializadas, através de aspectos clínicos, ou seja, através da história familiar e da dos sintomas do paciente. Um estudo resumindo tais aspectos foi realizado pelos Drs. T. R. P. Cole e H. V. Sleightholme, do Departamento de Genética Clínica do Hospital da Mulher de Birmingham, EUA. Tal estudo foi publicado na revista médica British Medical Journal, em outubro deste ano, cujo resumo será exposto no texto abaixo.

Câncer de Cólon Familiar – Síndromes Familiares

Como já foi dito acima, existe um grupo de doenças familiares transmitidas geneticamente que predispõe ao CA de cólon. Nessas famílias é de extrema importância um aconselhamento genético para que se possa prevenir a doença em todos seus membros. Quando possível, os tumores operados devem ter sido estudados microscopicamente. Outro fator importante e que deve ser sempre exposto aos familiares é que independente da história familiar de CA de cólon (a não ser que existam casos em ambos os lados), uma pessoa terá sempre uma chance 50% maior de não ter a doença.

A poliose adenomatosa familial (PAF) é a síndrome colorretal familiar mais facilmente reconhecida mas corresponde a apenas 1% dos casos familiares, ocorrendo em 1 em cada 100.000 pessoas. Essas pessoas têm centenas de pequenas lesões benignas (pólipos) em todo o intestino grosso que vão se transformando em câncer por volta dos 30 anos de idade. Geralmente essas lesões são diagnosticadas na adolescência. Podem ocorrer outras lesões em outros órgãos como estômago, pâncreas, tireóide, fígado e retina. Os filhos de pessoas com essa doença têm 50% chance de possuir as alterações genéticas responsáveis pela mesma. O diagnóstico de PAF leva à necessidade de se fazer uma história familiar minuciosa, sendo que os pais deverão fazer uma colonoscopia e os irmãos deverão ser submetidos à mesma anualmente até 40 anos de idade. A descoberta do gene responsável por essa doença facilitou muito seu rastreamento. Assim, todos os parentes de primeiro grau da pessoa acometida devem fazer testes genéticos, sendo que aqueles que não possuírem tal gene ficam dispensados de futuras análises, enquanto os portadores do gene deverão ser seguidos com sigmoidoscopia anual a partir dos 12 anos. Quando na presença de pólipos, deve-se marcar a data e tipo de cirurgia que consta na retirada de todo ou quase todo o intestino grosso. Com o acompanhamento clínico regular e o advento da investigação molecular, há a possibilidade de se evitar a morte de quase todos os pacientes com PAF.

Câncer de cólon hereditário não-polipóide
é uma síndrome com manifestações extra-intestinais como tumores ginecológicos, do intestino delgado e trato urinário. A proporção desses tipos de CA de cólon é de cerca de 1% a 2%. O diagnóstico dessa síndrome é feito através da história familiar pois a aparência do intestino grosso não sugere a doença como é o caso da PAF. Em seguida seguem alguns critérios:

- três ou mais casos de CA de cólon em no mínimo duas gerações;

- um indivíduo portador deve ser parente de primeiro grau de dois ou mais portadores;

- um caso deve ser diagnosticado antes dos 50 anos de idade;

- o CA colorretal pode ser substituído por CA de endométrio ou de intestino delgado;

- PAF deve ser excluída.

A literatura médica disponível até o momento sugere o rastreamento de CA de cólon em pessoas portadoras dessa síndrome. Isso tem sido feito através da colonoscopia a cada 2 a 3 anos em portadores dos genes até agora descobertos como responsáveis.

Há outras síndromes mais raras que as duas anteriormente citadas. No entanto, o número de famílias com história de CA de cólon mas que não se enquadram em nenhuma dessas síndromes é muito maior e muito mais difícil de se fazer um acompanhamento específico. Há dificuldade em se compreender a razão da presença de casos de CA de cólon agrupados nessas famílias, o que muitas vezes é considerado como coincidência. Pode-se pensar, no entanto, em exposição ambiental aos mesmos fatores. Abaixo segue uma tabela de risco de CA de cólon com relação ao número de parentes acometidos.

- Um parente de primeiro grau acometido (qualquer idade) = 1 em 17

- Um parente do primeiro grau e um do segundo grau acometidos = 1 em 12

- Um parente do primeiro grau acometido (idade < 45) = 1 em 10

- Dois parentes do primeiro grau acometidos = 1 em 6

- Geneticamente Autossômico Dominante = 1 em 2

Existem muitos protocolos tentando otimizar um rastreamento desses pacientes, mas nenhum conseguiu o fazer com consistência. O desenvolvimento de maiores pesquisas e informações a respeito desses casos vai, no futuro, proporcionar tal tipo de abordagem.

Câncer de Intestino

A campanha de conscientização sobre o Câncer do Intestino foi totalmente planejada e desenvolvida pela SOCIEDADE BRASILEIRA DE COLOPROCTOLOGIA, contando com o apoio do Instituto Nacional do Câncer, Associação Médica Brasileira, Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva e outras entidades médicas, com o objetivo de esclarecer a população sobre o câncer do intestino a fim de:

• Evitar o aparecimento deste câncer.
• Aumentar a detecção precoce.
• Diminuir o número de mortes causadas por este câncer no Brasil.

O que é o Câncer do Intestino?

O câncer do intestino grosso, também chamado de tumor do cólon e do reto ou colorretal, é uma doença que pode ser evitada. Trata-se de um dos tumores mais freqüentes entre homens e mulheres no mundo ocidental. É o quinto câncer mais diagnosticado no Brasil, e o segundo na região Sudeste. Quando descoberto tardiamente pode ser fatal. Quase metade dos pacientes com este câncer ainda morre em menos de cinco anos após o tratamento. Por isso é tão importante a sua detecção precoce, quando a possibilidade de cura é grande.

O que é detecção precoce?

É encontrar o câncer do intestino em uma fase bastante inicial, quando pode ser curado por meio de cirurgia. Em casos mais avançados ainda há possibilidade de cura, porém tornam-se necessárias operações maiores e associação de quimio e/ou radioterapia.

Como evitar o aparecimento do câncer do intestino?

O câncer do intestino grosso (cólon e reto) é facilmente evitável. Quase sempre ele inicia através de um pólipo que cresce na parede do intestino e que pode se transformar em câncer com o passar do tempo. Quando um pólipo é retirado do intestino durante o exame colonoscópico, está se impedindo que ele se transforme em câncer. Portanto, o câncer do intestino pode ser prevenido removendo-se o pólipo antes que ele se transforme em câncer, sem precisar de cirurgia.

Quais as situações de risco para o câncer do intestino?

Idade maior que 50 anos torna qualquer pessoa mais sujeita ao aparecimento deste câncer. Algumas situações aumentam este risco.

História pessoal ou familiar de:

• Pólipos benignos.
• Câncer do intestino.
• Retocolite ulcerativa ou Doença de Crohn
• Câncer de mama, ovário ou útero.

Quais são os principais exames que podem ser feitos?

O exame mais importante para a detecção precoce do câncer do intestino grosso e, sobretudo, do reto é o exame proctológico.
Este exame consiste no toque retal e na retossigmoidoscopia, que é o exame da parte mais baixa do intestino. Quando adequadamente realizado, grande número destes tumores pode ser identificado.
O exame proctológico deve ser complementado nos indivíduos de risco, ou em todos com sintomas intestinais, pelo exame colonoscópico.

Quais são os sintomas do câncer do intestino?

Os tumores do intestino em geral, crescem de forma silenciosa. Os sintomas só aparecem quando estão mais desenvolvidas. Consulte o médico sempre que notar os seguintes sintomas ou sinais:

• Sangramento anal. • Sangue nas fezes.
• Alteração do hábito intestinal, ou seja, diarréia e obstipação alternados.
• Vontade freqüente de ir ao banheiro, com sensação de evacuação incompleta(puxos).
• Dor ou desconforto abdominal.
• Fraqueza.
• Anemia.
• Sensação de gases ou distensão abdominal.
• Perda de peso sem causa aparente.

Se você apresentar algum destes sintomas acima, procure um médico imediatamente.

O que se pode fazer para evitar o câncer do intestino?

Além dos exames de rastreamento nas idades adequadas, alimentação e estilo de vida saudável são muito importantes.
Algumas dicas:

• Consuma uma boa quantidade de fibras e reduza a quantidade de gorduras, principalmente as de origem animal.
• Frutas e verduras são muito importantes na prevenção do câncer do intestino.
• É recomendado que você coma pelo menos 25 a 30 g de fibras por dia, cerca de 02 xícaras e meia de frutas/verduras ao dia. O uso de suplementos alimentares com fibras pode ajuda-lo a atingir esta meta.


Nota:
Fernando O. Serrano de Andrade
Cirurgião Geral e Colo-proctologista
CRM-PB 1204

Câncer no intestino tem chances de cura se detectado em fase inicial

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JANAINA FIDALGO
da Folha Online

A descoberta de um câncer costuma causar a sensação de que uma bomba está prestes a explodir. Mas assim como boa parte das doenças, quando o câncer é diagnosticado na fase inicial, há grandes chances de cura, entre 90% e 100%, segundo médicos.

"O câncer de cólon pode ser diagnosticado na fase inicial e totalmente curado", diz o professor titular de de gastroenterologia da Unicamp (Universidade Estadual de São Paulo), Antonio Frederico Magalhães.

Sangramento nas fezes, diarréia, eliminação de muco (catarro amarelado) e dores na evacuação são sinais de alerta para o câncer no intestino. A recomendação dos gastroenterologistas quando estes sintomas aparecem é procurar um médico.

Os primeiros sinais encontrados no intestino são pequenas verrugas, chamadas de pólipos, mas que podem ser detectadas em exame clínico. Esta manifestação ainda não é um câncer, mas tem probalidade de se tornar. Depois de descobertos e removidos por meio da colonoscopia, ou de uma cirurgia, as chances de recuperação são muito grandes.

Arte Folha Online

A colonoscopia é o exame usado para detectar a presença de tumores ou de sinais iniciais do câncer de intestino. As imagens de todo o intestino grosso são captadas por meio de um tubo de fibra ótica e visualizadas num monitor. Outro procedimento pode ser o exame físico, geralmente o toque retal.

Segundo Magalhães, o exame permite a doença seja descoberta precocemente. "O pólipo não é câncer ainda, mas tem grande probalidade de virar. Se for retirado no próprio exame, elimina-se o risco", afirma Magalhães.

Nos casos mais adiantados, onde já há a formação de um tumor, é preciso fazer um estadiamento, ou seja, verificar se o tumor está localizado no intestino ou se tem manifestação à distância.

O estágio da doença e localização do tumor não determinam apenas a probalidade de cura, mas também a forma de tratamento.

Quando o tumor se localiza no reto alto, a cirurgia consiste na extração do pedaço afetado, com uma margem de segurança, e na anastomose (emenda) do segmento do intestino com o reto. "Neste caso, o paciente tem trânsito intestinal normal", diz Ademar Lopes, especialista em cirurgia oncológica e vice-presidente do Hospital do Câncer.

O mesmo procedimento é adotado para os tumores posicionados de 3 cm a 4 cm acima do ânus. Se o câncer fica no reto baixo, próximo ao ânus, em geral se torna necessária a colostomia -cirurgia que exterioriza o intestino para a pele do abdome, com captação das fezes numa bolsa.

Depois das intervenções cirúrgicas, a radioterapia ou a quimioterapia são usadas para controlar e evitar o desenvolvimento de novos tumores.

Câncer de Intestino

Câncer de intestino: Prevenção

Todos sabem que o intestino compreende duas grandes regiões. Uma parte mais fina chamada intestino delgado que está relacionada com a digestão e a absorção dos alimentos e uma mais grossa, o intestino grosso, responsável pela absorção da água, armazenamento e eliminação dos resíduos da digestão. Câncer nessa região mais fina do intestino é muito raro. Em geral, ao longo de toda a carreira, o médico não vê mais do que meia dúzia de casos. Em compensação, câncer no intestino grosso é muito freqüente. A doença começa sempre como uma lesão benigna que vai evoluindo lentamente até transformar-se num tumor maligno. Nessa fase de benignidade, que é longa, é possível retirar a lesão e com isso impedir sua degeneração e o aparecimento do câncer.

Sintomas


Drauzio - Hoje se sabe que a incidência de câncer de intestino é alta, em particular a de câncer de cólon. Como esse tema deve ser tratado?
Angelita Gama - É importante falar sobre câncer de intestino porque ele é muito mais freqüente do que se possa imaginar. No Brasil, a incidência está aumentando cada vez mais, apesar de ser um câncer que pode ser prevenido e que tem bom prognóstico.

Drauzio - O câncer de intestino, quando se manifesta, que sintomas provoca?
Angelita Gama - O câncer de intestino é traiçoeiro. Quando se manifesta já é razoavelmente grande porque, na fase inicial, costuma ser assintomático. Dependendo da localização, os sintomas são diferentes. Se estiver situado do lado direito do intestino, os principais serão enfraquecimento, anemia e alteração da freqüência da defecação. Se estiver do lado esquerdo, há alteração do ritmo intestinal com predominância de constipação intestinal, ou seja, prisão de ventre. No reto, o principal sintoma é o sangramento. Sangue e puxo, ou tenesmo, caracterizado pela vontade periódica de ir ao banheiro e insatisfação provocada pela sensação de evacuação incompleta são sinais de câncer ou de doença inflamatória no reto. O câncer de intestino é um câncer traiçoeiro, repito. Qualquer alteração no ritmo intestinal, constipação, diarréia, anemia, sangue ou catarro nas fezes e emagrecimento são indícios de que a pessoa pode estar com a doença.

"Fique de olho"


Drauzio - Você falou em sangramento. Eu encontrei pela vida um número incrível de pessoas com sangramento intestinal por meses, às vezes anos, que foi atribuído às hemorróidas e só tardiamente ficaram sabendo que eram portadoras de um tumor maligno. Esse tipo de mal entendido é freqüente?
Angelita Gama - É super comum. Há pacientes que operam as hemorróidas sem saber que logo acima, no canal anal, existe um tumor de reto. Por isso, escrevemos um folheto explicativo chamado "Fique de olho" com o objetivo de informar a população a respeito do assunto e o primeiro item mencionado é este: "Nem tudo que sangra é hemorróida. Hemorróida sangra, mas câncer de intestino também". Entretanto, há uma pequena diferença entre o sangramento da hemorróida, um sangue vivo não misturado às fezes, e o do câncer que, embora também seja vivo, vem misturado com elas. Para o paciente leigo é muito difícil estabelecer essa distinção. Como conseqüência, toda a pessoa que tem sangramento pelo ânus deve procurar o médico para submeter-se ao exame de toque retal e passar um aparelho a fim diagnosticar corretamente a doença.

Drauzio - Infelizmente também acontece de a pessoa ser vigilante, perceber o sangramento, ir ao médico que o atribui erroneamente às hemorróidas e continuar desenvolvendo câncer de intestino.
Angelita Gama - O paciente precisa também aprender a defender-se. Quando perde sangue, vai ao médico que classifica o sangramento como hemorróida sem fazer pelo menos o exame de toque retal, não se deve dar por satisfeito.

Drauzio - Que exames o médico deve normalmente fazer?
Angelita Gama - Primeiro, o exame de toque retal, um exame importantíssimo que deveria ser considerado de rotina. Além desse, no próprio consultório de um gastrenterologista ou coloproctologista, é possível fazer um exame endoscópico que permite atingir e avaliar 20cm da parte terminal do intestino grosso. Esse aparelho se chama retossigmoidoscópio. Com ele, se faz uma endoscopia semelhante à do estômago para examinar a região e colher material para biopsia quando existirem lesões.

Drauzio - Você aconselha que todas as pessoas que têm sangramento, mesmo as que sabem que têm hemorróidas, procurem um médico para fazer pelo menos um exame de toque retal?
Angelita Gama - No mínimo, um exame de toque retal. Isso é imperativo porque o câncer de reto é muito freqüente e um simples toque retal permite examinar, além do ânus e do reto, a próstata nos homens e útero, colo do útero e vagina nas mulheres. O exame de toque retal precisa deixar de ser tabu. Os pacientes devem ficar à vontade e não se recusar a fazê-lo, pois assim estarão evitando complicações que podem ser sérias.

Fatores de risco


Drauzio - Quais são as pessoas que correm maior risco de desenvolver câncer de intestino?
Angelita Gama - O câncer de intestino, como todos os outros, é favorecido na sua incidência pelo fator idade. Quem vive muito tempo provavelmente terá câncer porque certas anormalidades na divisão celular vão tornado mais freqüentes mutações erradas que favorecem o aparecimento do tumor maligno. Além disso, quanto mais idade, maior será a exposição da pessoa aos fatores de risco ambientais.

Drauzio - Com que idade a pessoa começa a ficar mais vulnerável?
Angelita Gama - Começa aos 40 anos e a cada década que passa dobra a possibilidade de desenvolver um câncer colorretal. Além disso, se a pessoa tiver parentes próximos - mãe, pai, irmão, tio ou avô - que faleceram por causa de câncer de intestino, o risco aumenta muito. Por isso, a partir dos 40 anos, quem tem na família caso de câncer no intestino deve fazer um exame especializado que se chama colonoscopia.

Alimentação ideal


Drauzio - Já citamos a idade e os fatores genéticos nos casos de câncer de cólon. E a alimentação?
Angelita Gama - O câncer de intestino têm fatores de risco genéticos hereditários e genéticos ambientais. Neste último grupo, os fatores dietéticos são muito importantes. Alimentação rica em gordura animal, pobre em fibra e rica em corantes favorece a incidência desse tipo de câncer. Gosto de citar os corantes porque são elementos que poderiam ser eliminados sem prejuízo, principalmente no Brasil onde existem pigmentos naturais que colorem os alimentos. Corantes são fator de risco porque liberam nitrosaminas no intestino, substâncias reconhecidamente carcinogênicas. Se prestarmos atenção, veremos que atualmente as crianças ingerem uma quantidade enorme de corantes nos doces, balas, pirulitos. Na verdade, até o algodão doce não é mais branco. É verde, cor-de-rosa.

Drauzio - Vamos especificar o que é uma dieta rica em gordura e pobre em fibras?
Angelita Gama - Na dieta rica em gordura predominam as carnes gordas. A carne em si não é um fator muito agressivo, mas a gordura que a acompanha é bastante. Especialmente quando a carne levada à brasa é muito ruim. O problema é que o carnívoro, em geral, não come verduras, frutas e cereais. Come carne. Os defumados, assim como os corantes, contêm substâncias carcinogenéticas. Embora possamos usar azeite, as frituras devem ser evitadas porque a gordura se decompõe quando vai ao fogo. Digo evitar e não abolir, pois a alimentação deve ser agradável ao paladar e variada. Se a pessoa gosta de gordura animal, por exemplo, não deve privar-se de saboreá-la, mas deve aumentar a quantidade de cereais ingeridos. Cereais são ricos em fibras que realmente protegem o intestino porque facilitam a evacuação, uma vez que aumentam o bolo fecal, aceleram o trânsito intestinal e diminuem o tempo de contato das substâncias cancerígenas com a parede do intestino.

Hábitos intestinais


Drauzio - Para a mucosa intestinal é sempre mais interessante que o bolo fecal seja grande e passe rapidamente?
Angelita Gama - A evacuação ideal deve ser diária e se caracteriza pelo bolo fecal consistente sem ser duro ou pétreo nem líquido, uma vez que a evacuação diarréica é ruim para a nutrição da mucosa intestinal.

Drauzio - Os hábitos de evacuação, às vezes, se transformam num verdadeiro martírio para as pessoas que têm dificuldade para usar o banheiro e estabelecer horários para o intestino funcionar. Parece que é ele que comanda a pessoa e não ao contrário como se espera.
Angelita Gama - Eu diria que a cabeça comanda o intestino, porque na realidade é ela que comanda tudo. Quem tem intestino ressecado geralmente come mal. As pessoas pensam que se alimentam bem, mas uma folhinha de alface no prato é o suficiente para acharem que comeram salada. É preciso comer um prato enorme de salada para ingerir os ideais 20 ou 30 gramas de fibras. Quem não consegue fazer isso, deve complementar com duas colheres de farelo de trigo ou de outro produto que contenha fibras. Há vários no mercado que devem ser ingeridos preferencialmente de manhã adicionados ao leite ou ao suco de laranja, por exemplo. Outra coisa a ressaltar é que as pessoas, sobretudo as mulheres, comem fibras, mas não tomam o líquido necessário para a formação do bolo fecal. Mulher é avessa a tomar líquido, embora devesse tomar pelos menos dez copos por dia.

Obstipação nas mulheres


Drauzio - Sua experiência mostra que as mulheres são mais obstipadas que os homens?
Angelita Gama - Tenho certeza disso. São mais obstipadas porque se alimentam pior. Gostam de docinhos, ricos em hidrato de carbono e, como têm a preocupação de não engordar, ingerem uma quantidade menor de alimentos. E também não bebem água. Além disso, são exigentes e não usam qualquer toalete. Às vezes, têm vontade de ir ao banheiro, mas não vão. O mecanismo reflexo da evacuação é muito interessante. Se elas deixam escapar aquele momento, o reflexo só reaparece no dia seguinte, quando as fezes já estão endurecidas porque houve absorção da água que continham. Fezes duras, ou fecalitos, são difíceis de eliminar e vêm a dor, a fissura, as hemorróidas. Progressivamente, para se defenderem, começam a tomar laxantes e instala-se um círculo vicioso. O intestino se acostuma, perde o reflexo, e elas são obrigadas a tomar quantidades crescentes desses remédios. Esse é um problema que se vê todos os dias no Hospital Universitário, nos hospitais públicos e no consultório.

Drauzio - Existe um número ideal de evacuações diárias?
Angelita Gama - É variável. O tamanho do intestino difere de uma pessoa para outra. As que têm intestino mais longo necessitam de quantidade maior de fibras e evacuam menos. No entanto, não é o número de evacuações diárias que importa. O que importa é ir ao banheiro uma vez ou duas por dia, ou dia sim, dia não, mas sem fazer força para evacuar. A consistência do bolo fecal deve proporcionar fácil eliminação. Não pode ser um fecalito duro como pedra, nem diarréia promovida por excesso de laxantes.

Drauzio - Vida sedentária interfere nos hábitos intestinais?
Angelita Gama - Interfere, mas quero mencionar outro fator que favorece a constipação intestinal nas mulheres. A gravidez deixa o abdômen mais flácido e o períneo, ou seja, a musculatura entre o reto e vagina, também mais flácido. Para que as fezes cheguem ao reto é necessário fazer um movimento de contração abdominal e perineal e é obvio que musculatura flácida torna mais difícil a eliminação do bolo fecal.

Colonoscopia


Drauzio - Você disse que com a idade aumenta o risco de desenvolver câncer de cólon e que, além dos já citados, existe um método de prevenção altamente eficaz que infelizmente a maioria da população não conhece ou não tem acesso a ele. É a colonoscopia. Em que consiste esse exame?
Angelita Gama - Antes de falar na colonoscopia, quero dizer que cigarro e álcool também promovem aumento de casos de câncer de intestino como acontece com os demais órgãos, pulmão, bexiga, etc. Em relação à prevenção do câncer de reto, o diagnóstico é muito simples, porque pode ser feito pelo exame de toque retal no consultório. Já o diagnóstico de câncer de cólon exige um exame chamado colonoscopia, cuja descoberta representou o maior avanço no conhecimento das doenças do aparelho digestivo. Ele começou a ser realizado na década de 1970 e, por meio da introdução de um aparelho longo, flexível à semelhança do que se usa para o estômago permite a identificação não só de processos inflamatórios como até de pequenos pólipos. Pólipo é uma verruga que começa bem pequena, do tamanho de uma cabeça de alfinete, sob a mucosa do intestino. Seu crescimento (e conseqüentemente a elevação da mucosa) é lento e ele leva de 10 a 15 anos para degenerar-se num câncer. Isso o câncer de intestino tem de vantagem se comparado com os demais que já se instalam como tumor maligno. É possível reconhecer o fator que o precede, uma vez que começa como um pólipo que cresce bem devagarinho.

Drauzio - Isso garante uma longa oportunidade de prevenção.
Angelita Gama - Por isso sou entusiamadíssima com a prevenção do câncer de intestino. A colonoscopia é um exame que detecta precocemente o câncer, quando ele já existe, e também o previne, pois permite a identificação e a ressecção do pólipo antes que se torne um tumor maligno ou o diagnóstico precoce da doença. O procedimento é bastante simples. Passa-se uma alça por dentro do aparelho, abraça-se a cabeça do pólipo, retira-se e manda-se examinar. Sem pólipo, não haverá mais câncer.

Drauzio - Na verdade, a colonoscopia é um exame para diagnóstico, tratamento e prevenção de câncer de intestino.
Anagelita Gama - Se o governo tomar consciência dessa verdade, será benéfico para o indivíduo em particular, para a população em geral, e muito mais econômico para o próprio governo. Do ponto de vista de gastos em reais, é muito menos custoso promover a prevenção pela colonoscopia do que tratar o câncer de intestino que requer atendimento especializado, demorado e que envolve alta tecnologia, porque nem sempre só a cirurgia resolve o problema. Com freqüência, é preciso recorrer à quimioterapia e radioterapia. Adultos com os sintomas já citados, em especial adultos com anemia, devem obrigatoriamente fazer esse exame, já que nessa faixa etária ela é a causa mais freqüente de câncer do lado direito do intestino, uma doença com excelente prognóstico quando diagnosticado precocemente. Para aqueles que não têm sintomas é indicado um exame preventivo chamado rastreamento. Se não nada for encontrado, esse exame deverá ser repetido só cinco anos depois.

Drauzio - Na imagem 1 aparece um pólipo visto pelo colonoscópio dentro do intestino.
Angelita Gama - Quando o pólipo tem um pedículo, ou seja, esse rabinho parecido com um cogumelo, é mais facilmente retirado pelo aparelho. Na imagem 2, aparece a pinça que passou por dentro do aparelho e abraçou o pedículo que foi extraído e mandado para exame microscópico. Diante do resultado, o cirurgião ou o gastroenterologista definirá se essa ressecção foi suficiente ou não. No caso de degeneração maligna ter comprometido o pedículo, é preciso indicar a ressecção de um segmento do intestino.

Drauzio - Como nessa fase em que é feita a nova cirurgia a doença é curável em 100% dos casos, o câncer de cólon não precisaria existir.
Angelita Gama - É uma doença que poderia ser evitada. Não seria exagero dizer que hoje só terá câncer de intestino quem quiser, pois se espera que num futuro próximo a população menos favorecida também tenha acesso aos exames colonoscópicos.

Drauzio - Dói fazer esse exame?
Angelita Gama - Não dói. É um exame rápido, feito sob sedação, que pode ser realizado no consultório, em ambulatório ou até em hospital. O único desconforto é que exige uma limpeza do intestino, um preparo com limonada purgativa que determina uma diarréia intensa.

Drauzio - O intestino precisa estar bem vazio para que se possa enxergar direito seu aspecto interno.
Angelita Gama - Qualquer exame no intestino exige esvaziamento. Atualmente, já existe a colonoscopia virtual que não requer a passagem do aparelho. É uma tomografia que registra o diagnóstico. No entanto, se for detectado um pólipo, temos de recorrer à colonoscopia convencional para retirá-lo.

Recomendações


Drauzio - Quais são as recomendações para as pessoas que têm acesso à colonoscopia? Homens e mulheres devem fazer esse exame preventivo? Com que idade?
Angelita Gama - O câncer de intestino incide igualmente em homens e mulheres. Quem tem casos da doença em familiares de primeiro grau deve começar a fazer esse exame aos 40 anos. Quem não tem, aos 50, no máximo aos 60 anos. No folheto que escrevemos para alertar a população, falamos 60 anos, mas essa idade foi antecipada, nos Estados Unidos, para 50 anos, porque cada vez mais operamos jovens, porque eles seguramente estão se alimentando pior. Fast foods, corantes, excesso de álcool e de cigarros são fatores que promovem o câncer de intestino. Por isso, seria excelente que todas as pessoas pudessem fazer uma colonoscopia preventiva por volta dos 50, 60 anos. No entanto, aqueles que apresentam algum sintoma não têm escolha. Devem obrigatoriamente fazer esse exame assim que os sintomas aparecerem.

Drauzio - Com que freqüência esse exame deve ser repetido?
Angelita Gama - Quando dá negativo, o período mínimo de intervalo entre um exame e outro é de três anos. Nos Estados Unidos, a recomendação é repetir a cada cinco anos. No entanto, quem já extraiu um pólipo deve fazer o exame a cada três anos, no máximo, porque pode ter tendência a apresentar esses crescimentos anômalos.

Drauzio - Existe alguma indicação específica para a colonoscopia antes dos 40 anos?
Angelita Gama - Só se existirem sintomas como alteração do ritmo intestinal, anemia, perda de sangue, dor abdominal, emagrecimento, a colonoscopia é indicada para pessoas com menos de 40 anos.

Drauzio - Você se referiu várias vezes a alterações do hábito intestinal. Seria possível caracterizá-lo melhor?
Angelita Gama - É o caso do indivíduo que evacuava uma vez por dia todos os dias e de repente passa três ou quatro dias sem evacuar ou a evacuar quatro vezes no mesmo dia. Ele mudou a freqüência, mudou o ritmo intestinal. Se não houve alteração alimentar, essa mudança por si só é sinal de que deve procurar um médico para avaliação do quadro.